O que a nova pesquisa presidencial está dizendo

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A pesquisa CNT/NDA que acaba de sair é o marco zero da nova e decisiva fase da corrida presidencial.

Eram três, e agora são dois. Ou duas, na verdade: Dilma e Marina.

Aécio já está num claro segundo plano, com tendência de baixa ainda maior dada a polarização que se estabeleceu entre as duas candidatas que estão à sua frente.

Mais uma vez, no momento crucial da campanha para presidente os brasileiros lidam com uma polarização.

O fato novo é que, pela primeira vez desde a primeira eleição de FHC, o PSDB está fora dessa polarização.

Para os tucanos, ficará a mensagem de que ou se reinventam, e se ajustam aos novos tempos com suas demandas antiiniquidade, ou marcharão para uma crescente irrelevância no mundo político nacional.

Para Dilma e Marina, a última pesquisa demonstra que a disputa será acirrada e de desfecho de difícil prognóstico.

Em pesquisas recentes, o que se lia era uma “Marinamania”. Nas projeções de segundo turno, ela aparecia a uma distância expressiva de Dilma, acima da margem de erros.

Agora, há virtualmente um empate técnico.

Marina começou a apanhar, primeiro de Dilma e depois de Aécio, eles que haviam estado entretidos em trocar botinadas no começo da disputa.

Mesmo Luciana Genro é um problema para Marina. Na campanha, e especialmente nos debates, Luciana vem mostrando para um público jovem idealista – a turma dos protestos de junho de 2013 – que está muito mais próxima dos sonhos deles de renovação na política do que Marina.

O apoio evangélico, se ajuda Marina na ala conservadora, pesa contra ela nesse eleitorado mais progressista.

Os manifestantes de 2013 não gostam muito da ideia de que saíram às ruas para dar poder a Silas Malafaia e outros do gênero.

Pelo lado de Dilma, a participação intensa de Lula na campanha está dando agora seus primeiros dividendos.

Também contribuem os vídeos do programa eleitoral gratuito em que são mostradas obras – algumas importantes – que não mereceram nenhuma atenção da grande mídia.

Ainda a favor de Dilma, vai-se formando a convicção de que o escândalo da delação premiada não vai mudar quase nada no quadro – se é que vai mudar alguma coisa.

Foi notado já, com sagacidade, que os “escândalos” nas últimas eleições têm aparecido sempre em setembro, à beira da votação.

O roteiro é parecido: a Veja puxa o coro, com mais apreço pelo barulho do que pela substância, e o Jornal Nacional repercute com seus tambores ouvidos por cada vez menos pessoas, em sucessivos recordes de pior audiência da história.

Mais recentemente, a internet surgiu e vem servindo como contraponto ao que alguém batizou de “Setembro Negro”.

Tudo isso mitiga o impacto do esforço das grandes companhias jornalísticas contra o PT.

Na atual campanha, tivemos três cenários distintos.

No primeiro, com Campos, a questão era se Dilma levava no primeiro ou no segundo turno.

No segundo, com a morte de Campos, havia a dúvida sobre se a Marinamania duraria o suficiente para instalar Marina no Planalto com uma vitória acachapante.

Neste terceiro, e aparentemente definitivo, você tem duas candidatas que brigarão pela presidência até o último dia.

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