
O ex-presidente Jair Bolsonaro comentou a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que rejeitou pedidos liminares apresentados pelo Novo e pelo Missão, partido ligado ao MBL, para impedir o desfile da Acadêmicos de Niterói em homenagem ao presidente Lula na Marquês de Sapucaí. A manifestação ocorreu durante visita de senadores ao Complexo Penitenciário da Papuda.
Segundo relato do senador Carlos Portinho, ele avaliou que teria sido punido de forma diferente caso fosse o homenageado. “Sobre o desfile, ele falou: ‘Imagina se fosse comigo? Ficaria inelegível antes da eleição, vergonha’”, afirmou o parlamentar. A declaração foi feita antes da apuração que confirmou o rebaixamento da escola.
O ex-presidente também teria dito a aliados que a agremiação não conseguiu mobilizar as arquibancadas e que o desfile tentou assumir caráter político. A Acadêmicos de Niterói levou para a avenida alegorias com críticas ao ex-mandatário e uma representação dele como palhaço.
As ações judiciais questionavam possível propaganda eleitoral antecipada. O TSE, ao analisar os pedidos antes do desfile, afirmou que a homenagem integra a liberdade de expressão artística, mas destacou que o Carnaval não pode ser utilizado para a prática de ilícitos eleitorais.

No entendimento da Justiça Eleitoral, é incomum que propaganda antecipada, isoladamente, resulte em inelegibilidade. Entre as penalidades possíveis estão multa e restrições específicas, a depender da conclusão dos processos ainda em curso.
O senador Flávio Bolsonaro e outras lideranças de oposição também recorreram à Justiça Eleitoral contra o desfile. Eles sustentam que a homenagem pode ter configurado promoção eleitoral fora do período permitido pela legislação.
Durante a visita na Quarta-Feira de Cinzas, o ex-presidente e o deputado trataram ainda das articulações para as eleições de 2026 no Rio de Janeiro. O PL precisa definir o candidato ao governo estadual, já que Cláudio Castro não poderá disputar a reeleição.
A legenda também discute as vagas ao Senado. Uma delas deve ser destinada a Castro. A outra, que poderia ficar com Flávio, ficou em aberto após o senador anunciar pré-candidatura à Presidência. Portinho manifestou interesse na disputa.