O que Bolsonaro e Trump podem aprender com a derrota de Viktor Orbán

Atualizado em 12 de abril de 2026 às 18:41
Bolsonaro, Viktor Orbán e Trump Imagem: reprodução

Após 16 anos à frente do governo húngaro, o primeiro-ministro Viktor Orbán reconheceu sua derrota nas eleições deste domingo,  12, diante de Péter Magyar, líder oposicionista. Em um discurso aos seus apoiadores, admitiu: “O resultado da eleição é claro e doloroso”.

Com cerca de 60% dos votos apurados, Magyar estava prestes a conquistar maioria de dois terços no parlamento, uma vitória esmagadora. Orbán, que governava desde 2010, se comprometeu a ajudar na reconstrução das comunidades húngaras após a derrota. “Nós nunca desistimos. Isso é algo que as pessoas sabem sobre nós: nunca desistimos”.

O reconhecimento de Orbán pela derrota foi exemplar e deveria servir de inspiração para líderes políticos como os golpistas Bolsonaro e Donald Trump.

Ao contrário de ambos, que se recusam a reconhecer suas derrotas,  em 2020 e 2022,  Orbán aceitou a opinião dos eleitores de maneira pública e respeitosa, parabenizando pessoalmente seu opositor. “Viktor Orbán acabou de me ligar e nos parabenizou pela nossa vitória”, declarou o vencedor Magyar.

Esse gesto demonstra respeito pelas instituições democráticas, algo que Trump, e aqui no Brasil, Bolsonaro e sua corja, têm repetidamente falhado em fazer.

Trump, agora novamente derrotado, aliado declarado de Orbán, demonstrou apoio à candidatura do primeiro-ministro húngaro até o fim, enviando o vice-presidente J.D. Vance para um comício em Budapeste, reforçando sua ligação com Orbán, que se tornara um modelo para outros líderes extremistas da Europa. A amizade entre Orbán e Bolsonaro também era evidente, com o ex-presidente brasileiro, agora preso por tentativa de golpe de Estado, chamando o hungaro de “irmão” durante sua visita a Budapeste em 2022.

A postura de Orbán, com toda critica que ele mereça por sua política autoritária e discriminatória, mantém o respeito pelas regras democráticas. Que sirva de exemplo a Flávio Bolsonaro, que recentemente, falando para extremistas nos Estados Unidos, já sinalizou que sua derrota em outubro, na eleição presidencial, não será reconhecida.

Jose Cassio
JC é jornalista com formação política pela Escola de Governo de São Paulo