
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (17), em Évian, na França, que “nunca” foi esquerdista. A declaração ocorreu durante uma conversa registrada à margem da cúpula do G7, em diálogo com o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, e com a chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva.
Na conversa, Lula comentou a alternância de poder em diferentes países e citou Estados Unidos e França ao falar sobre governos de esquerda e direita. “Nos Estados Unidos, os republicanos ficaram mais no governo do que os democratas. Na França, os socialistas também ficaram bem menos tempo governando. Ou seja, o que isso prova? Que o mundo não é de esquerda. O mundo é do caminho do meio. Essa é a verdade”, afirmou Lula.
Em seguida, Kristalina Georgieva mencionou a percepção internacional sobre o presidente brasileiro durante seu primeiro mandato. “Quando você foi presidente pela primeira vez, todos esperavam que você fosse um esquerdista, mas você não foi”, disse a chefe do FMI.
➡️ CÚPULA DO G7 | A voz do presidente Lula vazou em uma reunião do G7 em Evian, na França. pic.twitter.com/P7LEoErMJi
— Metrópoles (@Metropoles) June 17, 2026
Lula respondeu: “Mas eu nunca fui esquerdista”. Georgieva acrescentou: “Mas essa era a imagem na época”. O presidente, então, relacionou sua trajetória política ao movimento sindical e citou contatos mantidos com entidades trabalhistas europeias antes de chegar à Presidência.
“Eu era um dirigente sindical — com uma belíssima relação com o sindicalismo alemão, tinha uma relação boa com o sindicalismo italiano, uma relação boa com a UGT da Espanha. Eu nunca fui — em 1980, tinha um congresso na Rússia que eu fui convidado. E eu não fui na Rússia porque fui condenado pela Lei de Segurança Nacional. Eu fiz uma viagem pela Europa angariando solidariedade, e aí eu passei a ser tratado como anticomunista”, afirmou Lula.
A conversa ocorreu durante a participação de Lula na reunião de cúpula do G7, que reúne líderes de algumas das principais economias do mundo e convidados internacionais.
O presidente brasileiro participou do evento na França como convidado e manteve conversas com autoridades estrangeiras durante a agenda.