
A polilaminina é um composto desenvolvido pela pesquisadora Tatiana Sampaio com potencial para tratar lesão medular aguda. A substância ganhou destaque após relatos de pacientes que recuperaram movimentos e também após debates nas redes sociais. Tatiana afirma que o produto ainda está em fase inicial de validação e alerta: “É uma promessa de tratamento. No dia em que a polilaminina estiver registrada, as pessoas usarem e todas elas recuperarem a função, se todo mundo voltar a andar, aí sim fizemos uma revolução”. Com informações do Poder 360.
O composto é aplicado diretamente na medula espinhal, no local da lesão, onde forma uma espécie de “ponte biológica” entre os neurônios. A proposta é restabelecer a comunicação elétrica interrompida pelo trauma. Um dos casos mais conhecidos é o de Bruno Drummond, que sofreu lesão cervical em 2018 e apresentou melhora após o tratamento, embora estudos apontem que parte dos pacientes com lesão aguda pode recuperar algum movimento mesmo sem intervenções específicas.
Em 2025, foram divulgados dados preliminares com oito pacientes, mas o estudo ainda não passou por revisão por pares. Especialistas pedem cautela diante do número reduzido de participantes e da diversidade de perfis clínicos. A bióloga Danielle Barbosa afirmou que “é importante analisar com cuidado antes de concluir se um tratamento em fase inicial realmente funciona ou não”.

A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e a Academia Brasileira de Ciências também se manifestaram, destacando que terapias avançadas exigem rigor metodológico. Em nota, as entidades afirmaram que “a literatura internacional demonstra que terapias avançadas em saúde exigem processos rigorosos de validação científica, regulação sanitária e avaliação clínica, sendo incompatíveis com soluções imediatas”.
A polilaminina está atualmente na fase 1 dos ensaios clínicos autorizados pela Anvisa, voltada à avaliação de segurança e dose em pequeno grupo de pacientes com lesão torácica aguda recente. Como todo medicamento experimental, precisa passar pelas fases 2 e 3 antes de eventual registro. O processo inclui aprovação ética, testes ampliados e análise técnica da agência reguladora.
Três pacientes que receberam a substância por decisões judiciais morreram em 2026, mas o laboratório Cristália afirmou que “não há relação entre as mortes e o medicamento”. Segundo a empresa, as causas foram complicações clínicas prévias. A pesquisadora reforça que o uso fora de estudos clínicos envolve riscos e que a substância ainda depende de etapas regulatórias antes de se tornar um medicamento disponível no mercado.