
Uma tendência chamada “chinamaxxing” tem se espalhado entre jovens americanos, que passaram a adotar hábitos do cotidiano chinês, como beber água quente, jogar mahjong e incorporar elementos culturais em roupas e comportamento. O movimento ganhou força em plataformas como TikTok e RedNote e passou a integrar o cenário de disputa cultural entre China e Estados Unidos.
O fenômeno ocorre em meio ao avanço do soft power chinês, conceito que envolve a influência por meio de cultura, entretenimento e valores. Segundo a consultoria Brand Finance, a China foi classificada em janeiro de 2026 como a segunda maior potência cultural do mundo, com 73,5 pontos, próxima dos Estados Unidos, que registraram 74,9.
Pesquisas indicam mudanças na percepção global. Levantamento do Gallup apontou que a aprovação internacional da China chegou a 36%, superando os Estados Unidos, com 31%. Já o Chicago Council on Global Affairs registrou aumento no número de americanos favoráveis à cooperação com o país, passando de 40% para 55% em um ano.
A expansão cultural ocorre tanto por iniciativas institucionais quanto por conteúdos produzidos de forma independente. Produções como “Lobo Guerreiro 2” e “Ne Zha 2” ampliaram o alcance do cinema chinês, enquanto jogos como “Black Myth: Wukong” alcançaram milhões de usuários em poucos dias.

Além do entretenimento, a influência também se manifesta em áreas como moda e consumo. Produtos inspirados em elementos tradicionais chineses, como roupas com botões de nó, ganharam visibilidade internacional, impulsionados por redes sociais e marcas globais.
Especialistas apontam que o crescimento do soft power chinês está ligado ao peso econômico e tecnológico do país. “Seria até surpreendente se um país dessa escala não produzisse marcas, plataformas e produtos culturais com apelo internacional”, afirmou o analista Zichen Wang, do Centro para China e Globalização.
@ceme_2 I’m in a very Chinese time in my life #chinesetiktok ♬ original sound – Kanski Art