O que é ruim para Eike Batista não é ruim para o Brasil

O New York Times se precipitou ao vincular a implosão das empresas de Eike ao destino do país.

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O New York Times errou ao comparar a situação em que se encontram as empresas de Eike Batista `a situação econômica brasileira. “A ascensão e queda do industrial carismático reflete a guinada repentina no destino do Brasil”, escreveu o jornal.

As empresas de Eike estão implodindo e isso independe de o país estar num período de maior ou menor crescimento. Elas não estão entregando, nem de perto, o que prometeram em termos de produção e faturamento. O mercado criou expectativas a seu respeito, construindo uma bolha que está finalmente estourando.

O mercado brasileiro não está passando por nenhuma crise extremamente forte. O que acontece com as empresas do grupo EBX é um fato isolado.

Enquanto a Bovespa caiu de 20 a 25%, e mais por razões de conjuntura internacional, as ações das empresa de Eike derreteram no mesmo período, perdendo de 15 a 25 vezes seu valor. A OGXP, que lida com petróleo, chegou a ser cotada no final de 2010 a mais de R$ 23. Esses dias bateu em R$0,10.

Há dois anos, Eike chegou a ter um patrimônio avaliado em quase R$ 70 bilhões. Hoje, esse valor está próximo de R$ 9,5 bilhões.

Eike foi tratado pela mídia estrangeira como símbolo do “novo” Brasil, o que era um erro. Assim como é errado transformá-lo em emblema de uma suposta tropeçada do país.

Apesar de o Brasil continuar com grandes perspectivas na produção de petróleo e minério de ferro, não é isso que o grupo EBX vem mostrando. Ele está perdendo participação acionária dentro de suas próprias empresas.

No mês passado, vendeu 40% de seu principal campo de exploração de petróleo, Tubarão Martelo, na bacia de Campos, para a empresa Petronas, da Malásia, por US$ 850 milhões. A intenção era melhorar a saúde financeira da OGXP, mas as ações continuaram caindo.

O grupo vai apresentar ao mercado um novo plano de negócios. De agora em diante, a reação possível dependerá de resultados e fatos concretos, não do marketing do bilionário.

Enquanto Eike não sai do atoleiro, a internet se diverte com ele. Sua súbita “dureza” virou meme. No Twitter, com a hashtag “Gente como a gente”, as piadas foram na mosca:

“Eike passando a catraca no final da viagem pro bilhete único render mais”.

“Eike colocando água no restinho do xampu e juntando os pedacinhos de sabonete numa bolinha só”.

“Eike esquentando a ponta da Mont Blanc com isqueiro pra ver se volta a escrever.”

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