O que falta a Paulo Guedes, entre outras coisas, é uma olhada no espelho. Por Nathalí Macedo

A discussão sobre a aparência de Brigitte Macron continua sendo assunto nos bastidores – e também nos holofotes – do governo Bolsonaro.

Não contente com o infeliz comentário de seu chefe, Paulo Guedes também decidiu dar sua opinião sobre Brigitte: “feia mesmo”, disse, sem cerimônias, em um evento público em Fortaleza.

A primeira grande pergunta que me ocorre é: por quê homens de aparência medonha, como é o caso, sentem-se confortáveis para enquadrarem qualquer mulher que seja como “feia”?

A resposta é tão simples quanto toda esta celeuma fútil: homens que acreditam que as mulheres são objetos decorativos agem naturalmente como se eles tivessem o direito de serem feios, e nós a obrigação de sermos bonitas. É esse, afinal, o nosso papel: enfeitar a feiura deles.

Senta lá, Cláudia.

Fora o mais óbvio, que talvez seja também o mais grave: ofender opositores chamando suas mulheres de feias não é exatamente o que se espera de homens que se propõem a governarem um país. De um desequilibrado como o Bolsonaro a gente até espera, mas logo o Posto Ipiranga?

Até tu, Brutus?

Em nota, Guedes pediu desculpas pela ofensa – coisa que Bolsonaro não teve a decência de fazer, muito pelo contrário – e justificou-a da maneira mais pífia possível:

 “O Ministro Paulo Guedes pede desculpas pela brincadeira feita hoje em evento público em Fortaleza (CE), quando mencionou a primeira-dama francesa Brigitte Macron. A intenção do ministro foi ilustrar que questões relevantes e urgentes para país não têm o espaço que deveriam no debate público. Não houve qualquer intenção de proferir ofensas pessoais”.

Sim, claro, ilustrar questões relevantes e urgentes para o país. Criticar a aparência de mulheres é notadamente a maneira mais assertiva de ilustrar questões relevantes e urgentes para um país, e é impossível fazer isso sem ofendê-la.

Nem mesmo o bolsominion mais estúpido seria capaz de acreditar nessa justificativa.

E nem mesmo ele seria capaz de encarar Paulo Guedes por mais de cinco segundos e não reconhecer que, com aquela cara castigada de quem comeu e não gostou, ele não tem o direito de chamar ninguém de feia.

O que falta a homens como Paulo Guedes é algum bom-senso e uma boa reparada no espelho.

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