
O acordo de livre comércio entre a União Europeia (UE) e o Mercosul foi ratificado nesta sexta (9), após mais de 25 anos de negociações. O próximo passo será a assinatura formal do acordo, prevista para o dia 17 de janeiro, com Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai aguardando a aprovação em seus congressos.
Embora o acordo envolva diversos setores, o setor agropecuário foi o ponto mais sensível durante as negociações, com uma parte dos produtores europeus protestando contra a entrada de produtos mais competitivos do Mercosul.
O Brasil, um dos maiores produtores de alimentos do mundo, será um dos maiores beneficiados. A União Europeia é o segundo maior cliente do agro brasileiro, atrás apenas da China. O acordo assume um peso ainda mais estratégico para o país após a queda nas vendas do setor para os EUA, que impuseram altas tarifas às exportações brasileiras em 2025.
Embora as sobretaxas tenham sido retiradas em novembro, uma parte das exportações ainda está sujeita a tarifas. O acordo prevê a eliminação das tarifas de importação de 77% dos produtos agropecuários do Mercosul que são comprados pela União Europeia.
Isso abrirá portas para aumentar as exportações de produtos como café, frutas, óleos vegetais e peixes. No entanto, itens como carne bovina e de frango terão cotas de exportação, sendo considerados “sensíveis” pelos europeus, que temem a competição com a produção local. Pecuaristas de países como França e Polônia são os principais opositores, preocupados com a perda de mercado.

No setor de carnes, o Brasil poderá exportar até 99 mil toneladas de carne bovina com uma tarifa inicial de 7,5%, que será reduzida ao longo dos anos. Para carne de frango, o país terá uma cota de 180 mil toneladas com tarifa zero, com um aumento gradual nos volumes ao longo do tempo.
A medida deve beneficiar o Brasil, que é o maior exportador global desses produtos. Contudo, as exportações fora das cotas continuarão sujeitas a tarifas vigentes.
O acordo também traz benefícios para o setor de café, especialmente o solúvel, que hoje sofre tarifas de 9% para a União Europeia. O pacto prevê a eliminação dessas tarifas em até quatro anos, o que tornará o produto mais competitivo em relação a concorrentes, como o Vietnã, que já tem tarifa zero.
A soja, por sua vez, não será impactada pelo acordo, já que o Brasil já exporta a soja para a União Europeia sem tarifas. No entanto, o acordo inclui medidas de salvaguardas, que permitirão suspender os benefícios tarifários caso o aumento das exportações do Mercosul prejudique algum setor agrícola local.
Essas salvaguardas geraram críticas por parte de produtores brasileiros, que veem nelas um possível obstáculo para o crescimento das exportações.