O que o aquecimento global tem a ver com a gigantesca cratera surgida na Sibéria

 

Deu em vários jornais e sites mundo afora: um misterioso e assustador buraco de dimensões abissais apareceu, do nada, em uma região remota da Sibéria – em território russo – chamada Yamal. A hipótese da queda de um meteoro foi descartada.

Claro, o fato despertou as mais estapafúrdias especulações sobre a causa do surgimento da sinistra abertura na terra. De bunker de ovnis à ação de uma minhoca gigante saída das profundezas do inferno.

Teorias esotéricas à parte, os cientistas estão começando a investigar a estranha cratera com cerca de 80 metros de largura e tão profunda que ainda não foi mensurada. As mais recentes notícias dão conta de que equipes de pesquisadores acabaram de chegar à Yamal para coletar dados e amostras. Já há suspeitas, contudo, de que pode se tratar do efeito nefasto do aquecimento global, especialmente naquele lugar remoto do planeta.

A região de Yamal – que sugestivamente significa “fim do mundo” – está 1 800 quilômetros a leste de Moscou. Ela é recoberta com permafrost, solo composto por terra, gelo e rochas congeladas por milhares de anos. O permafrost aprisiona toneladas de gás carbônico e metano, os principais gases que – se liberados – contribuem para potencializar o aquecimento global.

A pesquisadora Anna Kurchatova, do Centro de Investigação Científica do Sub-Ártico, acredita que o buraco foi formado por uma mistura de água, sal e gás, desencadeando uma explosão subterrânea de incríveis proporções. O permafrost estaria derretendo e liberando perigosamente os gases para a atmosfera.

Kurchatova disse ao jornal The Siberian Times que o efeito do aquecimento global provavelmente teria causado o rápido derretimento de gelo. Impregnado de gases, o gelo liquefeito pode ter provocado uma ação semelhante à de “estourar uma rolha de garrafa de champanhe” formando a cratera.

Outro cientista, Chris Fogwill, da Universidade de New South Wales, também acredita que o aquecimento global está contribuindo para o derretimento do gelo siberiano.

“Estamos vendo muito mais atividade de derretimento em áreas de permafrost do que vimos no passado histórico. Isto, de alguma forma, está relacionado ao aumento das temperaturas em regiões árticas altas, que certamente já estão experimentando os efeitos do aquecimento da Terra”, afirmou Fogwill.

A cientista russa Anna Kurchatova teme que uma nova explosão possa colocar em risco os inúmeros gasodutos subterrâneos que atravessam aquela região da Sibéria, também rica em petróleo.

Mais assustador do que a largura e a profundidade do buraco siberiano é constatar – se comprovada a teoria dos cientistas – o tamanho do estrago que o homem está causando ao planeta.

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