Boilensen: o canalha que veio fazer no Brasil o que não podia fazer na Dinamarca

O empresário que financiou a repressão na ditadura  teve que deixar a Escandinávia para soltar seus demônios.

Um canalha, em suma
Um canalha, em suma

Por sugestão de um amigo do Diário, NX, assisti ontem ao bom documentário Cidadão Boilesen, de Chaim Litowski.

Num momento em que o Brasil reflete tanto — e com tamanho atraso se comparado a vizinhos como a Argentina — sobre a ditadura, ver Cidadão Boilensen é altamente recomendável. (Vou deixá-lo no pé deste artigo.)

Henning Boilesen, em suma, foi um canalha.

Ele não apenas financiou a brutal repressão da Oban em São Paulo como, segundo relatos confiáveis, era espectador sádico de sessões de tortura.

Boilensen era presidente de uma empresa de gás, o grupo Ultra. Militantes perceberam que em muitas ações da Oban havia caminhões da Ultragaz nos arredores das casas vasculhadas.

Era Boilensen quem fornecia os caminhões, usados pelos agentes policiais. (Octavio Frias, da Folha, soube-se depois, também cedia à Oban peruas do jornal para a perseguição a suspeitos.)

Bem, para encurtar, militantes se vingaram e o executaram em São Paulo. O documentário mostra que ele recebeu avisos da polícia política de que estava na mira, e ofertas de segurança, mas as rechaçou num gesto de machismo obtuso e letal.

Queria sublinhar uma coisa que me chamou a atenção.

O documentário foi à Dinamarca natal de Boilensen para reconstruir seu perfil.

Um entrevistado disse o seguinte: Boilensen tinha um demônio dentro de si que o sistema brasileiro permitiu que florescesse.

Nosso sistema.

Na Escandinávia, ele não poderia fazer o que fez. Seria socialmente um pária. Seria rejeitado. Teria, em suma, que se ajustar e melhorar, ou seria excluído do convívio da sociedade dinamarquesa por ser uma aberração nociva aos demais.

O Diário luta pela escandinavização do Brasil, como nossos leitores sabem.

Um sistema social saudável como o escandinavo não permite que surjam Boilensens.

Também não permite que a mídia corporativa atrase tanto o avanço do país – pagando impostos ridiculamente baixos e lutando contra coisas vitais como o fim de monopólios e oligopólios — apenas para manter seus privilégios.

É por coisas assim que o Diário renova aqui, mais uma vez, seu compromisso de ajudar o Brasil a se tornar mais escandinavo.

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