O que o general Mourão fez pela Amazônia? Por Moisés Mendes

General Hamilton Mourão. Foto: Reprodução/Twitter

No dia 9 deste mês, o general Hamilton Mourão conversou, por videoconferência, com investidores estrangeiros que pressionam o Brasil para que contenha a destruição da Amazônia.

No dia 10, o general fez nova rodada de conversa com grandes empresários nacionais que haviam divulgado uma carta em defesa da floresta e do meio ambiente.

O vice-presidente liderou os encontros, em nome do governo, porque é o presidente do Conselho Nacional da Amazônia.

Um dos dados básicos colocados diante do general pelos empresários é este: segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o Brasil registrou 13 meses consecutivos de aumento no desmatamento na Amazônia.

É a boiada de Ricardo Salles denunciada pelo instituto que não tem a simpatia do governo por divulgar números assombrosos, enquanto índios, árvores, rios e solo são massacrados pelos grileiros e pelos garimpeiros.

Pois apenas três dias depois da segunda reunião, no dia 13, quando as promessas de Mourão aos empresários ainda estavam frescas, o governo do general exonerou a pesquisadora Lubia Vinhas, coordenadora-geral de Observação da Terra do Inpe.

Lubia coordenava o trabalho do sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter) e o Programa de Cálculo do Desflorestamento da Amazônia (Prodes), duas das principais estruturas de monitoramento do desmatamento via satélite no Brasil. Esse sistema é considerado uma referência internacional na área.

A demissão da servidora que vigiava a destruição foi até agora a única resposta concreta de Mourão aos empresários. Eles queriam compromissos com o ambiente, porque estão sob a ameaça de perder clientes internacionais.

E os investidores estrangeiros querem saber se vale a pena continuar aplicando recursos aqui, enquanto Bolsonaro devasta a floresta, mata índios e apoia desmatadores e invasores de terras do próprio governo.

Hoje, mais um grupo de defensores do meio ambiente, da Amazônia e do Cerrado divulgou mais um manifesto. São 17 ex-presidente do Banco Central e ex-ministros da Fazenda de vários governos.

Assinam a nota, entre outros, Rubens Ricupero, Pedro Malan, Fernando Henrique Cardoso, Armínio Fraga, Eduardo Guardia, Gustavo Krause, Luiz Carlos Bresser-Pereira, Maílson da Nóbrega, Marcílio Marques Moreira, Joaquim Levy e Zélia Cardoso de Mello.

E o que fez o vice-presidente hoje? Disse aos jornalistas, ao chegar ao seu gabinete, que o ministro Gilmar Mendes deve um pedido de desculpas aos militares, por ter dito que eles são cúmplices do genocídio da pandemia.

No dia em que um grupo de elite se junta a dois outros grupos de grandes empresários e pede respostas do governo, o homem que deveria dizer alguma coisa prefere exigir que Gilmar Mendes fique de joelhos diante dos militares.

Vale repetir que o Conselho da Amazônia liderado por Mourão não tem representantes da Funai e do Ibama, mas tem 15 coronéis, um general, dois majores-brigadeiros e um brigadeiro.

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