O que os generais ganham ao lado de Bolsonaro. Por Moisés Mendes

Jair Bolsonaro e os militares. Foto: PR

Por Moisés Mendes

Bolsonaro já mandou seis generais embora do governo. E as notícias de hoje são de que vai levar mais gente de farda (entre muitos já de pijama) para o primeiro e o segundo escalões.

Bolsonaro quer dar mais emprego para os militares, que não são parte orgânica do governo – como seriam numa autêntica ditadura –, mas seus homens de confiança a serviço de um projeto já caracterizado como autoritário.

Isso quer dizer que a cada defesa de ameaça de golpe ou de manifestação forte pró-ditadura, como fez domingo, Bolsonaro usa as Forças Armadas como escudo. Os fardados estariam com ele, porque seu governo, afinal, está lotado de militares.

O que ele mais diz é que está com as Forças Armadas e que elas estão com ele. E aí as Forças Armadas largam uma nota para dizer que defendem a democracia e cumprem missão constitucional, em nome das liberdades, da lei e da ordem.

Mas no mesmo dia em que sai a nota, Bolsonaro manda dizer que vai lotear ainda mais os ministérios de oficiais. Hoje são 2,5 mil, e Bolsonaro quer mais.

A estratégia é a mais óbvia possível. Bolsonaro rodeado de militares quer não só ter controle total da gestão, mesmo que não tenha, mas passar a ideia de que os fardados (mesmo já sem farda) são o poder. Quando são, na verdade, prestadores de serviços do governo, mais do que servidores do Estado.

É ruim para as Forças Armadas, mas funciona para todos. Se não funcionasse, os militares estariam rejeitando a oferta de emprego num governo que ameaça todas as semanas que um golpe pode estar a caminho.

Agora, há um novo desafio para os militares. Eles serão submetidos a um teste de fidelidade a Bolsonaro, a partir de uma arapuca criada por Sergio Moro.

Moro disse no depoimento à Polícia Federal que Bolsonaro o pressionou a trocar a chefia da PF, na frente de ministros, em reunião no dia 22 de abril no Palácio do Planalto.

Augusto Aras, procurador-geral da República, entende que os três generais citados por Moro devem ser ouvidos no inquérito, os ministros Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo), Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional da Presidência) e Braga Netto (Casa Civil).

É uma saia justa, ou nesse caso uma farda justíssima. Se forem depor (Celso de Mello irá decidir se devem ou não), não há como engambelar, porque a reunião foi filmada.

É dura a vida de general do governo de Bolsonaro. Sabem que estão, mas não sabem o que são.

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