O que Planalto extraiu de pesquisa qualitativa sobre medida de Trump contra PCC e CV

Atualizado em 29 de maio de 2026 às 11:43
O Palácio do Planalto, sede do governo. Foto: reprodução

O Palácio do Planalto monitorou praticamente em tempo real a reação de diferentes setores da sociedade à decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. O acompanhamento foi feito por meio de uma pesquisa qualitativa, que avaliou percepções sobre a medida anunciada pelo governo Donald Trump.

O relatório do estudo, segundo Daniela Lima do Uol, indica que a decisão não foi recebida de forma amplamente positiva pelo grupo pesquisado. A pesquisa qualitativa trabalha com perguntas mais abertas e busca identificar sentimentos, preocupações e interpretações de participantes com perfis variados, incluindo moradores de comunidades do Rio de Janeiro e pessoas de padrão socioeconômico mais elevado.

De acordo com o levantamento, os entrevistados condenam a atuação do CV e do PCC e veem as facções como perigosas e danosas ao país. Parte do grupo reconhece que determinadas ações das organizações têm semelhanças com práticas de grupos terroristas, mas a percepção predominante é que terrorismo envolve questões e ações diferentes das praticadas pelas facções brasileiras.

A intromissão dos Estados Unidos em um tema nacional foi mal recebida por parte dos participantes. Segundo o relatório, frases como “Trump deveria cuidar dos problemas dos americanos” foram registradas pelos pesquisadores. Moradores de comunidades também manifestaram temor de se tornarem alvos de uma eventual ofensiva estadunidense em territórios dominados pelo crime.

O Rio de Janeiro, estado de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), tem mais de 50% de seu território sob influência do crime organizado. O dado aumenta a preocupação entre moradores de áreas afetadas, já que nem todos os que vivem nesses locais têm ligação com atividades criminosas.

Flávio Bolsonaro e Donald Trump na Casa Branca. Foto: reprodução

O grupo monitorado pelo Planalto também demonstrou preocupação com a preservação do patrimônio nacional e desconfiança em relação às reais intenções de Donald Trump. Entre os receios citados estão possíveis interesses dos Estados Unidos em terras raras, na região amazônica e na água brasileira.

A medida pode ter sido incentivada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) durante visita aos Estados Unidos. O pré-candidato à Presidência pela extrema-direita pediu a Trump a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas, decisão anunciada pelo governo estadunidense nesta semana.

A reação cautelosa identificada na pesquisa deve orientar a resposta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à medida. A ordem no Planalto é condenar as ações das facções criminosas, mas reforçar a soberania do Brasil para lidar com sua política de segurança pública.

O governo também pretende demonstrar disposição em cooperar nas investigações sobre os grupos criminosos. Ao mesmo tempo, deve lembrar que operações recentes apontaram braços lucrativos do Comando Vermelho na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e estruturas ligadas ao PCC na Faria Lima, centro financeiro de São Paulo.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.