
O acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia aprovado pela Comissão Europeia tende a baratear diversos produtos consumidos no Brasil. O tratado prevê redução gradual — e, em alguns casos, eliminação total — de tarifas de importação aplicadas a itens europeus, o que pode impactar diretamente preços de azeites, chocolates, queijos e vinhos.
A liberação tarifária, porém, não será imediata e seguirá cronogramas específicos para cada categoria. Com prazos que variam, em média, entre 8 e 15 anos, produtos hoje fortemente taxados devem ter tarifas reduzidas de forma escalonada.
No caso dos queijos, a abertura será feita por meio de cotas tarifárias: uma quantidade limitada poderá entrar com tarifas reduzidas, enquanto volumes acima da cota seguirão pagando a alíquota cheia. Essa cota aumentará gradualmente até se estabilizar em cerca de 30 mil toneladas anuais após dez anos.
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Vinhos europeus também entram no cronograma de liberalização, com reduções progressivas que podem ampliar a variedade de rótulos no mercado brasileiro. O mesmo vale para azeites de oliva, nos quais a União Europeia é dominante.
Além da queda das tarifas, o acordo tende a aumentar a oferta desses produtos, pressionando preços ao facilitar o acesso de exportadores europeus ao Mercosul.
Abertura gradual e salvaguardas para produtos sensíveis
O desenho do acordo prevê períodos longos de transição, cotas e salvaguardas para evitar uma abertura abrupta e proteger setores sensíveis tanto no Brasil quanto na Europa.
Especialistas avaliam que, no médio e longo prazo, a redução de tarifas deve ampliar a concorrência, aumentar a variedade disponível ao consumidor brasileiro e inserir o país com mais força nas cadeias globais de comércio.