O que se sabe sobre o acidente que matou operário na montagem do palco de Shakira

Atualizado em 27 de abril de 2026 às 18:43
O serralheiro Gabriel de Jesus Firmino. Foto: Reprodução

Gabriel de Jesus Firmino, um serralheiro de 28 anos, morreu tragicamente no último domingo (26) enquanto trabalhava na montagem do palco para o aguardado show da cantora Shakira, na Praia de Copacabana, Rio de Janeiro. O acidente aconteceu quando a vítima ficou presa entre dois elevadores utilizados na preparação da estrutura para o evento.

O trabalhador sofreu ferimentos graves, principalmente nas pernas, e não resistiu aos danos, falecendo pouco depois de ser levado ao Hospital Municipal Miguel Couto. De acordo com informações do Corpo de Bombeiros e da Polícia Civil, o operário ficou preso entre as estruturas metálicas durante a operação do sistema de elevação.

Seus colegas tentaram resgatá-lo antes da chegada do socorro, mas ele já estava gravemente ferido. A situação causou grande comoção entre a equipe de trabalho, que se esforçou para retirar o equipamento de cima da vítima, utilizando até uma serra para cortar as partes de ferro da estrutura.

O acidente ocorreu durante os preparativos para o evento gratuito “Todo Mundo no Rio”, que contará com a apresentação de Shakira na orla de Copacabana, marcada para o dia 2 de maio. A estrutura do palco estava sendo montada há vários dias para acomodar o grande evento, um dos maiores do calendário cultural da cidade, que deve atrair milhões de pessoas. Gabriel de Jesus Firmino era responsável pela construção dos elevadores que fariam parte da estrutura do palco.

A organizadora do evento, a produtora BonusTrack, lamentou profundamente a morte do trabalhador e prestou solidariedade à família da vítima e à empresa envolvida. “Estamos dando todo o suporte necessário neste momento de dor”, afirmou a organização em comunicado oficial.

A Polícia Civil registrou o caso e iniciou uma investigação para apurar as causas do acidente e se houve falhas operacionais ou de segurança na montagem da estrutura. A 12ª DP (Copacabana) realizou uma perícia preliminar no local do acidente no domingo, com novas diligências acontecendo nesta segunda-feira (27).

Investigadores trabalham para apurar as causas e identificar possíveis responsabilidades pelo acidente. Foto: Divulgação

O delegado Ângelo Lages, responsável pela investigação, explicou que, de acordo com as informações coletadas, o operário estava dentro da estrutura de segurança do elevador, o que é proibido pelas normas de segurança do trabalho.

O delegado também afirmou que Gabriel de Jesus Firmino teria dado a ordem para o movimento de um dos elevadores, o que, segundo ele, não deveria ter ocorrido com o trabalhador dentro do equipamento. “Ele deveria ter feito a solda, saído e mandado operar o elevador, por uma questão de segurança”, explicou Lages.

A dinâmica do acidente aponta que Gabriel estava soldando uma das estruturas do palco quando o elevador 1 subiu, resultando na prensagem do operário entre os dois elevadores. A distância entre as estruturas era de apenas seis centímetros, o que dificultou a sua retirada a tempo.

“Ele ficou imprensado nesse espaçamento e chegou a gritar por socorro. Foi uma morte muito cruel”, relatou uma moradora que estava nas proximidades do local no momento do acidente.

Em relação às responsabilidades, a Polícia Civil investiga se houve negligência por parte das empresas envolvidas. Se a falha de segurança for confirmada, as empresas podem ser responsabilizadas por homicídio culposo, que ocorre quando não se observa um devido cuidado no ambiente de trabalho.

A morte de Gabriel também ganhou destaque na imprensa internacional, com veículos como o ‘TMZ’ e a ‘People’ destacando a tragédia durante os preparativos do show de Shakira. A ‘Entertainment Weekly’ e a *Rolling Stone* também mencionaram o acidente, que lançou uma sombra sobre o evento que reuniria milhões de fãs na cidade.

O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro (Crea-RJ) anunciou que irá autuar e multar a MG Coutinho Serviços Cenográficos (Cenoart), empresa responsável pela montagem dos elevadores no palco. A vistoria realizada pelo Crea-RJ indicou que a empresa não possuía registro no conselho para exercer atividades de engenharia nem responsável técnico habilitado, o que pode agravar ainda mais a situação legal para as partes envolvidas.

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 28 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.