O que Tarcísio perde se apoiar Flávio Bolsonaro. Por Moisés Mendes

Atualizado em 22 de janeiro de 2026 às 14:36
Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas. Foto: Reprodução

O que Tarcísio de Freitas perderia, se decidisse se jogar de cabeça desde já, com articulações com o poder político e econômico da direita, na campanha de Flávio Bolsonaro? É bem provável que não perdesse muito.

Ficaria bem com a família e o bolsonarismo raiz. Poderia ser acusado de se dedicar á campanha e não ao governo paulista.

Poderia fortalecer o nome de Flávio e tornar sua escolha irreversível. E se transformaria em refém não só de Bolsonaro, mas da família, que tem a marca gasta e em decomposição.

E se Flávio for derrotado por Lula, como as pesquisas indicam, o extremista moderado seria também um perdedor, na segunda derrota do bolsonarismo para o lulismo.

Mas Tarcísio não perde muito se tornar público seu apoio agora, se levar em conta que pode, mais adiante, ser a salvação da direita.

É só Bolsonaro admitir que ele, e não o filho, é capaz de enfrentar Lula. Tarcísio seria apresentado como salvador da direita, da Globo e da Faria Lima.

Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas. Foto: Pedro Ladeira/Folhapress

Essa hipótese, que não é absurda, porque nada no bolsonarismo pode ser considerado surpreendente, teria impacto em toda a direita, e não só entre os bolsonaristas.

Há um risco pequeno. O bolsonarismo dos tios do zap pode se sentir traído e não se dedicar a Tarcísio como se dedicaria a Flávio. Mas a velha direita e o centrão entrariam na campanha com muito mais empenho do que na candidatura do filho ungido.

O problema é saber se Tarcísio tem coragem de enfrentar Lula. Até agora, não parece ter. O que ele faz, com um jogo aparentemente dúbio, indicando ao mesmo tempo que deseja ser candidato à reeleição ou a presidente, é jogada óbvia.

Ganha visibilidade como nome ainda não descartado para enfrentar Lula, e depois, se Flávio seguir em frente, anuncia que vai concorrer a um segundo mandato. E está tudo resolvido.

Tarcísio de Freitas, o CEO vacilão, é a figura mais esdrúxula da política brasileira desde a ascensão do fascismo.

Ninguém sabe direito qual é seu vínculo real com o bolsonarismo, mas a Globo, a Fiesp e a direita antiga têm certeza de que podem domesticá-lo. Podem estar gerando, como aconteceu em 2018, uma criatura incontrolável, pior do que a original.

Moisés Mendes
Moisés Mendes é jornalista em Porto Alegre, autor de “Todos querem ser Mujica” (Editora Diadorim) - https://www.blogdomoisesmendes.com.br/