O que Toffoli ainda precisa explicar sobre sua ligação com o caso Master

Atualizado em 12 de fevereiro de 2026 às 17:56
O ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli. Foto: Fellipe Sampaio/STF

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli confirmou ser sócio da Maridt, empresa que vendeu cotas do resort Tayaya em Ribeirão Claro (PR) para o fundo Arllen, ligado a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, mas não esclareceu os valores envolvidos na transação nem outros detalhes sobre a relação com ele. Em comunicado, o ministro afirmou que a venda foi devidamente declarada à Receita Federal e realizada com valores de mercado, alegando que nunca recebeu pagamentos do banqueiro ou de seu cunhado, Fabiano Zettel.

A Polícia Federal identificou que, em 2024, o fundo Arllen pagou R$ 20 milhões à Maridt, três anos após a venda do resort. A transação foi mencionada em mensagens trocadas entre Zettel e Vorcaro, mas não foi abordada no comunicado de Toffoli. O ministro afirmou que jamais teve amizade com o banqueiro, mas investigações indicam que havia uma relação próxima entre eles.

Em relação às trocas de mensagens entre Toffoli e Vorcaro, a Folha de S.Paulo reportou que os diálogos não envolvem questões financeiras, mas sim planos para um encontro. Essa mudança no tom de Toffoli em relação à venda do resort Tayaya representa uma mudança em seu posicionamento, já que o caso havia sido mantido em sigilo inicialmente.

A revelação da ligação entre o ministro e a Maridt surgiu por meio de uma reportagem do Estadão no dia 22 de janeiro, mas, na ocasião, nem Toffoli nem o STF se manifestaram.

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Foto: Reprodução

O caso está relacionado ao Banco Master, que foi liquidado pelo Banco Central devido a uma crise de liquidez e violações regulatórias. Investigações apontam que o banco inflava seu patrimônio ao emprestar dinheiro para empresas que, por sua vez, investiam em fundos da Reag, administradora do fundo Arllen.

Esses fundos compravam papéis sobreavaliados e, em seguida, o valor voltava ao banco, que utilizava Certificados de Depósito Bancário (CDBs) para atrair investimentos. O esquema resultou na quebra do Master, que comprometeu um terço das reservas do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

Dos R$ 125 bilhões disponíveis no fundo, R$ 40 bilhões foram usados para pagar cerca de 800 mil investidores com CDBs do banco. Esse resgate é considerado o maior já realizado na história do FGC e colocou em evidência as irregularidades financeiras no banco.

A liquidação do Master foi atribuída ao comprometimento financeiro da instituição, com alegações de que o banco utilizava práticas fraudulentas para inflar seu patrimônio e atrair investidores.

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.