O que você aprende com o triste caso do autor do vídeo Kony 2012

Russell

 

Como lidar com a celebridade instantânea?

O drama pessoal vivido pelo autor do documentário Kony 2012, o americano Jason Russel, de 33 anos, conta o quanto isso é difícil. No meio da controvérsia em torno do vídeo, Russell mais uma vez foi notícia, só que numa circunstância patética. Foi detido e encaminhado a um hospital em sua cidade nos Estados Unidos depois de provocar escândalo na rua. Segundo relatos, ele andava seminu entre os carros, fazendo coisas desconexas, entre as quais se masturbar.

Russell, até a semana passada, era tão desconhecido quanto o criminoso de guerra que ele retratou, o ugandense Joseph Kony. Em dias, Kony já era uma personalidade mundial e Russell também. O vídeo, postado no YouTube, foi visto 80 milhões de vezes em uma semana. A mídia em todo o mundo relatou o fenômeno.

Foi o melhor dos mundos para Russell, e também o pior. Com o sucesso, acabou sua paz. Num comportamento clássico da mídia, logo veio uma pancadaria: muitos comentaristas voltaram sua ira não para Kony, mas para Russell, acusado – entre outras coisas – de propagar a idéia de que no fim o branco sempre salva o negro. Um absurdo tal acusação, mas a vida é mesmo feita de absurdos.

Russell não suportou o outro lado da fama. Foi esmagado pelo estresse nascido não do fracasso, e sim do êxito. “Ocupe-se de pouco para ser feliz”, escreveu há mais de 2 000 anos um sábio da antiguidade. Eis uma verdade imortal, como mostra pateticamente o caso de Jason Russell — o bom samaritano que se esforçou tanto para mudar o mundo que acabou pelado no meio da rua.