O recado de Lima Duarte não é a Flávio Migliaccio, mas a todos nós: o omisso é cúmplice. Por Kiko Nogueira

Flávio Migliaccio

O recado de Lima Duarte para o amigo Flávio Migliaccio, que se suicidou, é o chamado mais urgente e necessário para o momento.

Aos 90 anos, Lima fez um monólogo curto diante da câmera.

Lembra do Teatro de Arena, de Augusto Boal, da ditadura, das piada ruins do amigo morto.

“Eu te entendo”, começa.

“Agora, quando sentimos o hálito putrefato de 64, o bafio terrível de 68, agora, 56 anos depois, quando eles promovem a devastação dos velhos, não podemos mais”, diz.

“Eu não tive a coragem que você teve”.

Lima se refere ao suicídio de Flávio, uma espécie de sacrifício ritual.

Ele termina com a seguinte frase: “Os que lavam as mãos o fazem numa bacia de sangue”.

É isso. Basta de omissão.

A sentença é de Pedro Jáuqeras, personagem de ‘Os Fuzis da Senhora Carrar’, de Brecht.

A senhora do título perde o marido lutando contra o fascismo de Francisco Franco durante a Guerra Civil Espanhola, em 1936.

Nada é mais forte que a arte. Esse é o chamado.

Agora cabe a nós resgatar o país de volta para os nossos braços e os de Lima.

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