O recado do STJ no dia em que Lula surge liderando mais uma pesquisa: o golpe só acaba quando termina. Por Kiko Nogueira

O procurador Francisco Severino no STJ

A decisão do STJ de negar, por unanimidade, o habeas corpus preventivo a Lula sai no mesmo dia de uma pesquisa da CNT/MDA conferindo-lhe, novamente, a liderança absoluta.

É mais do que coincidência. É revelador de descompasso da “Justiça” com a democracia. É uma farsa épica.

A única razão para o julgamento ser transmitido ao vivo era oferecer pão e circo em mais um enxovalhamento público do réu.

Como das outras ocasiões, não vai colar. Quanto mais bate, ele mais cresce. 

Mas isso não vai deter o trem da canalhocracia. E no final desse túnel existe um muro.

Segundo o levantamento, somados os brasileiros que dizem que Lula “é o único candidato em que votariam” (27,6%) e os que “poderiam votar nele” (22,5%) tem-se a maioria absoluta.

Levando-se em conta o pessoal que “não vota em ninguém”, chega-se a 60%. Apesar do massacre diuturno, Lula continua também no posto de menos rejeitado.

O ex-presidente tem mais que o dobro de Bolsonaro (13,3%), o segundo colocado.

Concorrendo ou não, Lula segue no papel mais decisivo no pleito: 16,4% declaram que votam em qualquer nome indicado por ele e 26,4% afirmam que podem fazê-lo, dependendo do candidato.

São 42,8% que teriam força para pôr qualquer concorrente, incluindo um poste — desde que esse poste não seja Ciro Gomes, de acordo com Emir Sader — no segundo turno.

O golpe não fecha a conta assim.

Depois de tudo, os artífices dessa fraude não vão largar o osso.

Lula falou que vai até as “últimas consequências”. Tem que ir. Negou diversas vezes que vá fugir. Vai ficar e lutar.

É a maneira de esgarçar as contradições de um Judiciário apequenado, covarde, seletivo e que caminha acintosamente na contramão da vontade popular.

Até onde vão? Até cancelarem as eleições? Vão prender todos os supostos planos B?

Lula e os democratas têm uma rota traçada.

Eles têm que inventar outra.

É pagar para ver.

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