O retorno glorioso de Kim Dotcom

Com o site Mega, ele devolveu aos internautas a sensação de privacidade perdida nos últimos anos.

1MegaLaunch_Getty
Louco ou gênio? Provavelmente os dois

O empresário maluco da internet Kim Dotcom, um alemão de 39 anos, lançou na semana passada o seu novo projeto. Chamado de Mega, ele é o sucessor de seu antigo site de compartilhamento, o Megaupload. Para quem não lembra a história do Megaupload, ele saiu do ar depois de uma ação judicial/policial que fechou a empresa de Kim e o prendeu, sob acusações de pirataria. Poucos meses depois, ele conseguiu se safar do xilindró — e logo começou a planejar o seu retorno à rede.

Logo na data de lançamento do Mega, dia 19, fui ao endereço mega.co.nz para garantir minha conta. Foi prometido 50 GB para novos usuários, o que é muita coisa para guardar na nuvem. Por causa da quantidade de acessos, nem consegui abrir a página. Vi que muitos internautas estavam com o mesmo problema — mas não desisti. No dia seguinte, às 23h, finalmente consegui abrir a conta e fazer meus primeiros uploads.

Senti que a velocidade para subir arquivos poderia ser maior; mas provavelmente o motivo da lentidão era o excesso de trafego. Para baixar arquivos não tive sucesso. Kim se pronunciou dizendo que mais de 400 mil pessoas estavam acessando o site simultaneamente — e que isso estaria gerando instabilidade no servidor. Em breve, no entanto, o acesso deve se normalizar, segundo ele.

Eis que surge a questão: se o Megaupload, que era bem parecido com o Mega, foi fechado por causa da pirataria — por que este não seguiria o mesmo rumo? Uma jogada de mestre de Kim responde a essa pergunta. Sem dúvida ele teve muito tempo para pensar nisso na cadeia, porque sua solução é realmente simples e impressionante.

Quando um usuário faz o upload do arquivo, ele é criptografado na máquina do próprio internauta. Então o Mega não sabe o que está hospedando — e nunca saberá. Assim, como Kim Dotcom poderia ser responsabilizado por um arquivo do qual ele não conhece a existência? Pois é.

Desculpas à parte, o propósito do site é claramente a pirataria. Ele também funciona como dropbox, permitindo a você guardar seus arquivos e visualizá-los de qualquer lugar. Mas, assim como acontecia com o Megaupload, o Mega será principalmente um antro de compartilhamento ilegal.

Mesmo chegando com força, acredito que o Mega ainda está engatinhando — e longe de atingir o seu potencial máximo. No futuro, porém, ele com certeza vai crescer muito e tornar-se um dos sites mais acessados da web.

Se você ainda não fez sua conta, por que esperar? Encontrar 50GB de graça não é em qualquer lugar. E você poderá mandar arquivos (dos quais ninguém tem conhecimento, nem mesmo o dono do site) para seus amigos de forma simples e rápida. Obrigado, Kim, por trazer de volta a sensação de privacidade e liberdade na internet que foi perdida nos últimos anos.

O jornalismo do DCM precisa de você para continuar marcando ponto na vida nacional. Faça doação para o site. Sua colaboração é fundamental para seguirmos combatendo o bom combate com a independência que você conhece. A partir de R$ 10, você pode fazer a diferença. Muito Obrigado!