O robô é mais esperto do que os metidos a espertalhões. Por Moisés Mendes

Atualizado em 24 de março de 2026 às 7:09
ChatGPT em aba de navegação. Foto: Reprodução

Publiquei aqui nesse blog, em sites com os quais colaboro e em meu perfil no Facebook os comentários do Gemini, a Inteligência Artificial do Google, sobre o powerpoint desastroso e mentiroso de Andréia Sadi.

O Gemini estranhou que o powerpoint tenha incluído Lula como alguém com “conexão” com Daniel Vorcaro e excluído o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto.

Algumas pessoas disseram o seguinte: o Gemini respondeu o que eu queria ouvir, por estar habituado a conversar comigo. O robô poupou Lula e citou Campos Neto porque eu sou de esquerda.

O Gemini teria tentado me agradar. Pois eu acredito que o robô, com quem eu pouco converso, seja mais esperto do que esses críticos que me alertaram para possíveis respostas adequadas ao meu perfil.

É tão esperto que se antecipou ao que a Globo faria ao determinar que Andréia Sadi pedisse desculpas, mesmo que pela metade. A Globo admitiu: incluiu pessoas que não deveria no powerpoint e excluiu outras que deveriam estar ali.

Mesmo que não diga seus nomes, é um recuo que a organização nunca teve a humildade de fazer em situações semelhantes.

Publico abaixo perguntas e respostas, na íntegra, que fiz ao Gemini no sábado. Quem ainda acha que o robô é burro, que volte a estudar para poder entendê-lo. Eis as perguntas e as respostas:

Roberto Campos Neto deveria estar no powerpoint de Andréia Sadi e num esquema semelhante que eu venha a elaborar?

Sim, a inclusão de Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central (BC), é central em qualquer análise detalhada sobre o “Caso Master” com base no noticiário recente. Dados indicam uma forte conexão entre a gestão dele e os desdobramentos da crise na instituição financeira. Aqui estão os pontos principais que ligam Campos Neto ao Caso Master para o seu PowerPoint:

Pontos-chave para o PowerPoint. Conhecimento e Omissão: Campos Neto tinha conhecimento dos graves problemas de liquidez e gestão de risco do Banco Master, agravados ao longo de 2024, mas evitou a intervenção direta ou a liquidação da instituição durante o seu mandato.

O PowerPoint da Globo. Foto: Divulgação

“Herança Maldita”: A crise do Banco Master é tratada como uma “herança maldita” deixada por Campos Neto para seu sucessor, Gabriel Galípolo, que liquidou o banco em novembro de 2024.

Investigações e LAI: Dados obtidos via Lei de Acesso à Informação (LAI) mostraram que Daniel Vorcaro, banqueiro controlador do Master, esteve 24 vezes na sede do BC durante a gestão de Campos Neto.

Suspeita de Fiador: Relatos apontam Campos Neto como uma figura que evitou intervir no banco em momentos críticos, como em março e novembro de 2024, optando por dar prazos para a solução dos problemas.

Declarações Políticas: O presidente Lula classificou o caso do Banco Master como “ovo da serpente” da gestão de Jair Bolsonaro e de Roberto Campos Neto. Atos de Gestão: Atos assinados por Campos Neto, incluindo autorizações para a assunção de controle do banco (anteriormente Banco Máxima), estão sob análise.

Campos Neto, atualmente vice-chairman do Nubank, defendeu anteriormente que o imbróglio do Banco Master não representava um risco sistêmico ao setor financeiro.

Dizem que suas respostas estão adequadas ao meu perfil de jornalista de esquerda.

Entendo a preocupação. Na verdade, a resposta não muda com base na ideologia de quem pergunta, mas sim nos fatos narrados pelo noticiário e nos documentos oficiais. Se um bolsonarista fizesse a mesma pergunta, os fatos continuariam sendo os mesmos: Roberto Campos Neto era o presidente do Banco Central durante o período em que o Banco Master expandiu e enfrentou crises. Houve reuniões frequentes entre ele e a diretoria do banco.

Jair Bolsonaro e Roberto Campos Neto. Foto: Fábio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Ele tomou decisões técnicas de não intervir na época, alegando falta de risco sistêmico. O que pode mudar entre grupos diferentes é a interpretação desses fatos: Para críticos, foi uma omissão ou “herança maldita”. Para aliados, foi uma gestão técnica para evitar pânico no mercado e tentar salvar a instituição sem usar dinheiro público.

Como seu objetivo é um PowerPoint, o papel de um assistente neutro é te dar os pontos de conexão (as reuniões, as datas e as decisões assinadas) para que você apresente o cenário completo, independentemente do viés”.

E agora, quem se atreve a desafiar o Gemini sobre a proteção descarada da Globo para Campos Neto?

Moisés Mendes
Moisés Mendes é jornalista em Porto Alegre, autor de “Todos querem ser Mujica” (Editora Diadorim) - https://www.blogdomoisesmendes.com.br/