O rolê sossegado de Alckmin em seu Roda Viva, o túmulo do jornalismo. Por Kiko Nogueira

Geraldo no Roda Viva dos amigos

O Roda Viva de Alckmin começou mal e terminou pior ainda.

De cara, o apresentador Ricardo Lessa deu a chamada levantada de bola: “Qual marca o senhor gostaria de deixar se for eleito?”

Ah, mas que beleza.

A bancada de amigos ficou no tom civilizado, republicano, gente fina — o oposto da saraivada de cafajestagem da noite com Manuela D’Ávila.

Manuela teve de enfrentar a burrice e a truculência de um assessor de Bolsonaro, sem contar cobranças pelos crimes de Stalin.

Geraldo passeou entre jornalistas do Estadão, da Veja, da Folha, do Globo.

Muita especulação inútil sobre o centrão e a escolha de Josué Alencar para vice.

Nem uma mísera pergunta sobre o metrô.

Nada sobre o escândalo da merenda.

Nada sobre a Sabesp.

Nada sobre os pepinos de Serra.

Não houve uma mísera interrupção. Manuela foi atropelada 62 vezes, quase oito vezes mais que Ciro Gomes.

Desta vez, foi o loquaz Geraldo quem interrompeu os camaradas em solos demagógicos excruciantes.

Uma tal Priscilla Cruz, presidente-executiva de uma ONG chamada Todos Pela Educação, não tocou no nome de Fernando Capez e nem mencionou as 889 salas de aula fechadas no governo Alckmin.

“Não tenho nenhum problema com Doria”, jurou ele.

Então tá.

Auto definido “filho do povo”, Geraldo deu um rolê em sua TV, mostrando quem manda na casa, exibindo orgulhoso o cadáver do menino jornalismo no Roda Viva, massacrado a cada semana.

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