O rolezinho no shopping e o rolezão de dois brasileiros em Beverly Hills

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Baseado em fatos reais. 

 

Este é o Natal do Rolezinho.

Um casal de conhecidos vai a Los Angeles. Uma viagem movimentada. Fazem bagunça no aeroporto lotado, falam alto no avião (a ponto da comissária de bordo pedir silêncio algumas vezes), são advertidos pelo segurança na chegada que não tumultuem a fila da imigração.

Resolvem visitar um condomínio de luxo em Beverly Hills. Eles querem ver de perto como vivem os milionários americanos. “Será que deixam a gente entrar?”, ela pergunta para o marido. São parados na portaria. Acham que vão ter que dar meia-volta.

Mas, surpresa, o cara da portaria permite sua entrada — desde que não saiam do carro. “Vocês não podem pôr o pé no chão”, avisa o sujeito, visivelmente espantado com a ideia exótica dos dois brasileiros. Ele troca sorrisos irônicos com seu colega.

Eles dão seu rolê, tiram fotos de portões de vários estilos e as postam no Instagram. Provavelmente, se saíssem do automóvel, seriam abordados e convidados a se retirar, na melhor das hipóteses. Toparam a humilhação do voyeurismo porque, afinal, que privilégio poder admirar aquela opulência, aquele mundo diferente.

“Eles são bonzinhos demais”, diz ela. O tour dura meia-hora. O casal volta para seu hotel duas estrelas encantado.

No hotel, lêem as notícias do Brasil.

No dia 22, o shopping Interlagos foi invadido por cerca de 200 jovens de periferia. Dois foram presos pela PM, que já estava de prontidão. Na página do Facebook usada para marcar o encontro, o organizador avisou que era para “tumultuar, pegar geral e se divertir sem roubos”. 

Com medo de um arrastão, as lojas baixaram as portas e a segurança acompanhou os jovens.

Foi o quarto evento desse tipo em dezembro. No dia 14, o cenário foi o shopping Internacional de Guarulhos, com 23 detidos. No dia 7, aconteceu no shopping Metrô Itaquera. Não houve crime em nenhuma das visitas.

“Esse povo não tem noção?”, ela comenta com o marido. “O Brasil é um lixo, mesmo. Até no shopping, agora? Que porra é essa?”

“É por isso que a gente tem de ir embora, meu amor”, diz ele. “Vamos morar nos Estados Unidos. Aqui não tem esse negócio de pobre invadir o lugar que não é dele. Não dá mais”.

Ele toma um gole da Coca-Cola comprada no supermercado e dá uma mordida no donut de baunilha. Ele não é bobo de gastar dinheiro com o frigobar. O homem cobre a mão com a boca para soltar um arroto.

“Eu também cansei”, ela responde. “País de merda. Quando vamos para Miami?”

“Depois de amanhã”.

“Oba! Ainda ficou faltando aquela mansão do portão vermelho. Quero mostrar pra Fernanda. Será que aquele chicano vagabundo deixa a gente entrar de novo?”

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