O salto de Felix Baumgartner foi um marco (para o YouTube e a Red Bull)

O mergulho para o vazio de Felix Baumgartner é uma façanha em vários sentidos: ele quebrou a velocidade do som e deu o salto mais alto do mundo (39 quilômetros). Tornou-se também o primeiro piloto austríaco depois de Niki Lauda a se tornar uma celebridade, seja lá o que isso quer dizer. Will Oremus, colunista do site da Slate disse, ironicamente, que a verdadeira realização de Baumgartner era inspirar milhares de crianças a pensar que elas também podem, um dia, encarar uma queda-livre da estratosfera sem razão aparente. Mas o episódio teve outros dois vencedores: o YouTube e a Red Bull.
Foi um marco na capacidade do YouTube de realizar transmissões em larga escala. Oito milhões de pessoas estavam ligadas no que Baumgartner fazia na internet (a CNN parou de transmitir ao vivo na hora agá, provavelmente temerosa de que acabasse em tragédia). O recorde anterior do YouTube tinha sido de 500 mil no casamento do príncipe William com Kate Middleton.

Valei-me, São Longuinho

Com isso, a Internet se coloca definitivamente como um player importante para a transmissão de eventos dessa grandeza, o que era, até pouco tempo, uma das últimas vantagens da televisão. Os portais brasileiros já transmitem, por exemplo, debates políticos. Eu assisti ao debate entre os vices americanos, Joe Biden e Paul Ryan, no Huffington Post e no Daily Beast. Não é apenas uma alternativa: é melhor. Mais dinâmico e mais dispersivo — no bom sentido. Os jornalistas tuítam e fazem observações em tempo real. No DB, uma janela na tela permitia que você acompanhasse o que o site chamou de “festa”, em que comentaristas davam seus pitacos enquanto comiam amendoim e tomavam tequila.

O piloto austríaco mais famoso do mundo pousa em segurança

Para a Red Bull é um acontecimento extraordinário. A companhia não se limitou a fazer com que seu garoto propaganda colocasse um boné ou posasse para fotos à frente de um painel com a marca. Owen Gibson, do Guardian, afirmou que o feito de Baumgartner “serviu para jogar luzes na tendência de as próprias empresas criarem seus grandes eventos”, ao invés de apenas os patrocinar. O bilionário Dietrich Mateschitz, conterrâneo de Baumgartner, vinculou o nome de seu energético a esportes radicais como mountain biking, surfe, skydiving etc. Ele tem uma equipe de Fórmula 1, cujo piloto é Sebastian Vettel. Em 2009, a Red Bull construiu uma rampa secreta no Colorado para o atleta de snowboard Shaun White competir nas Olimpíadas Inverno. Já bancou diversas provas em que recordes mundiais foram quebrados. Essa história está bem documentada aqui.

O salto de Felix Baumgartner alargou algumas fronteiras — e não foram só as da insanidade.

 

O piloto Sebastian Vettel com o dono da Red Bull, Dietrich Mateschitz