O São Paulo teve o que mereceu. Por Scott Moore

O retrato do jogo
O retrato do jogo

Ladies & Gentlemen:

Saiu barato para o São Paulo. O placar moral do jogo de ontem no Morumbi foi: Atlético Nacional 4 x 1 São Paulo.

Foi um brutal choque de realidade para os são-paulinos. Mas eles estavam praticando o autoengano: viam no seu time um Barcelona quando o São Paulo é, na realidade, o que se viu ontem.

Boss me conta que a imprensa contribuiu para as ilusões tricolores. “Ninguém informou que os colombianos eram francos favoritos para triturar o Tricolor”, me disse Boss.

Isso quer dizer o seguinte: eram 60 000 os iludidos ontem no Morumbi. Fizeram um espetáculo ao mesmo tempo lindo e horroroso. Lindo porque um estádio lotado sempre emociona. Horroroso pelo comportamento dos torcedores.

Brigaram entre si, como hunos. E vaiaram os jogadores substituídos em vez de aplaudi-los pelo empenho genuíno. Se faltou talento, sobrou suor.

Os colombianos jogam como os brasileiros jogavam. Bolas passadas de pé em pé com classe, elegância e precisão. Pareciam desde o início confiantes, certos de que eram superiores ao time oponente e que terminariam por vencer.

Como gosta de dizer Boss, só Sobrenatural de Almeida pode salvar o São Paulo. (Nota da tradutora: no original, Supernatural Jones. Sobrenatural de Almeida era um personagem criado por Nelson Rodrigues para explicar coisas inexplicáveis que ocorrem numa partida de futebol.)

O provável, na partida de volta na Colômbia, é uma vitória ainda mais tranquila do Atlético Nacional. A não ser que Supernatural Jones se manifeste. Porque Ganso, se voltar, não fará nenhuma diferença.

Sincerely.

Scott

Tradução: Erika Kazumi Nakamura

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Aos 53 anos, o jornalista inglês Scott Moore passou toda a sua vida adulta amargurado com o jejum do Manchester City, seu amado time, na Premier League. Para piorar o ressentimento, ele ainda precisou assistir ao rival United conquistando 12 títulos neste período de seca. Revigorado com a vitória dos Blues nesta temporada, depois de 44 anos na fila, Scott voltou a acreditar no futebol e agora traz sua paixão às páginas do Diário.