O silêncio dos ministros do Supremo. Por Moisés Mendes

Carmen Lúcia, Rosa Weber e Edson Fachin. Foto: Wikimedia Commons

Publicado originalmente no blog do autor

Quase todos os ministros do Supremo se manifestam publicamente, em algum momento, muitas vezes de forma incisiva, para um lado ou para outro, mas sempre em defesa da instituição que os acolhe. Ministros ficam em cima do muro, ficam ao lado do muro e às vezes são o próprio muro.

Quase todos falam sobre questões controversas, até para não dizer nada. Mas Carmen Lúcia, Rosa Weber e Edson Fachin não dizem nada mesmo. São os três silenciosos do Supremo.

Podemos discordar, e quase sempre discordamos, do que diz Luiz Fux, mas ele diz alguma coisa. Nos irritamos com as posições às vezes surpreendentes, pró-conservadorismo, de Marco Aurélio Mello. E tentamos acompanhar a gangorra de Gilmar Mendes.

Mas todos falam sobre qualquer assunto e principalmente quando o Supremo é atacado. Dias Toffoli fala, Ricardo Lewandowski diz alguma coisa, Celso de Mello é caladão, mas também se manifesta.

Hoje, Luís Roberto Barroso fez o que Mendes já havia feito e defendeu Alexandre de Moras e o STF das agressões de Bolsonaro.

Mas Carmen Lúcia, Rosa Weber e Edson Fachin não dizem nada. Raramente dizem, se provocados. Só falam nos autos. Como se assim conseguissem provar que são ‘ministros técnicos’ a serviço de uma neutralidade que não existe.

Não é preciso enfrentar Bolsonaro, que qualquer um hoje enfrenta, mas é preciso defender o Supremo. Um filho de Bolsonaro já disse que com um cabo e um soldado eles fecham o STF.

Bolsonaro diz agora que vai enfrentar o Supremo, por causa da suspensão da nomeação do delegado da Polícia Federal, porque quem manda é ele.

Mesmo assim, alguns ministros são incapazes de dizer uma frase, uma só, nesses tempos em que ninguém mais precisa de porta-voz para se manifestar.

E se os outros oito ministros do Supremo fizessem o que eles fazem e ficassem calados diante das agressões dos Bolsonaros ao Supremo?

O silêncio dos ministros que nada dizem é mais perturbador do que as previsíveis agressões dos Bolsonaros às instituições.

ESCOLHAS

Na terça-feira pela manhã, Bolsonaro praticou tiro ao alvo.

Ontem, fez uma caminhada relaxante à tarde na área verde do Alvorada.

Hoje, está em Porto Alegre para a posse de um general no Comando Militar do Sul.

O que Bolsonaro fará à tarde para ocupar o tempo de acordo com suas prioridades?

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