O sonho progressista impossível da união entre Erundina e Haddad. Por José Cássio

Eles
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O cenário não será nada favorável para a esquerda paulistana se as previsões das pesquisas eleitorais se confirmarem no domingo.

Com os representantes da direita liderando, temos a possibilidade de ter um segundo turno entre Doria (PSDB) e Russomanno (PRB) ou Doria e Marta – hoje no PMDB.

A pior crise da esquerda desde a redemocratização leva a um questionamento inevitável: o desfecho do primeiro turno poderia ser diferente se Erundina topasse apoiar Fernando Haddad, ou vice-versa?

Esta é a primeira vez, desde 1996, quando Celso Pitta tornou-se o primeiro negro a conquistar a prefeitura de São Paulo, que os paulistanos progressistas correm o risco de ficar órfãos no segundo turno.

Os petistas se queixam de que foi Erundina que dividiu a esquerda, mas a deputada não se comove.

Em entrevista recente, ela afirmou que em nenhum momento o PSOL foi consultado sobre uma possível candidatura e que uma aproximação às vésperas das eleições não faz sentido.

Na visão de Erundina, são dois projetos que estão em jogo, de dois partidos distintos. “Qual é o projeto de esquerda que está em disputa?”, ela questiona.

Talvez o problema seja o que Erundina disse à época das eleições para a presidência da Câmara dos deputados: a fragmentação e a falta de um projeto político capaz de catalisar todas essas forças, não apenas em períodos eleitorais. “Enquanto a esquerda não se unir, a direita levará a melhor”, declarou.

Não é a primeira vez que o campo progressista se divide.

Nas eleições de 1989 para a presidência da República, vimos a disputa entre Lula e Leonel Brizola. A briga entre eles para chegar ao segundo turno foi pau a pau, com uma diferença mínima, menos de 500 mil votos, a favor do petista.

A verdade é que Erundina tem, sim, o direito de bancar a sua luta e se lançar candidata para ajudar o PSOL.

Ela nunca abandonou seus princípios e combateu, com vigor, o que considera um golpe contra o PT, que é a cassação de Dilma e a perseguição a seus principais líderes.

Não fez como Marina Silva, que sempre aparece com cara de santa, quando a conveniência lhe interessa, para atacar os ex-aliados pelas costas, demonstrando, claramente, que se jogou nos braços da nossa direita mais ortodoxa, mesmo que tente vender o contrário.

Para dar algum alento aos que temem o fim do jogo neste domingo, vale lembrar que, em se tratando de política, nem sempre o vencedor é o real vitorioso.

Basta ver o exemplo de Celso Pitta, que morreu de desgosto após uma gestão em que se tornou refém de uma quadrilha, e próprio Collor, enxotado do Alvorada por um país unido de A a Z contra o seu desmando.

Vença quem vencer, o mais importante a considerar é a coerência – e, nesse aspecto, Erundina está no caminho certo, assim como Fernando Haddad, que fez uma boa gestão sem jamais se corromper.

Por fim, vai aqui minha previsão sobre o que vai acontecer nas próximas horas para que você possa me cobrar depois.

Luta política não se faz sem estrutura e muito menos sem o que a gente chama de capilaridade.

Por isso é tão comum que candidatos de grandes partidos, como PSDB e PT, surpreendam na reta final.

São eles que têm mais acesso às bases, aos líderes de bairros e aos puxadores de voto.

Olhando por esse prisma, mesmo com a esquerda dividida, meu palpite é o de que Haddad vai atropelar Marta e Russomanno e chegar na final contra Doria.

 

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