O surrealismo fascista do Brasil: Roger Waters pode ser preso esta noite se não mutilar sua arte. Por Kiko Nogueira

 

No Globo, o retrato de um Brasil que você imaginava absurdo demais até para os nossos padrões de realismo mágico e trágico.

A cidade de Curitiba, onde Roger Waters se apresenta na noite deste sábado, pode até ser sugestiva, por abrigar o ex-presidente Lula, preso. Mas as inserções políticas que recentemente chamaram atenção nos seus shows de São Paulo e Rio estão em risco.

O cantor inglês, crítico ferrenho do candidato Jair Bolsonaro (PSL), recebeu pessoalmente a orientação para não fazer manifestações eleitorais desta vez, sob pena de tornar-se mais um prisioneiro famoso da capital. 

A recomendação que chegou a seus ouvidos por meio da produtora T4f tem a ver com a Lei 9.504, na qual o TSE se baseia: as manifestações públicas com amplificador de som devem se encerrar às 22h deste sábado, véspera das eleições. O show está programado para começar às 21h30, no Couto Pereira. (…)

Roger Waters

O ex-líder do Pink Floyd tem sido mais atuante na luta contra Jair Bolsonaro e o fascismo do que Ciro Gomes.

Ciro, por uma mesquinharia que vai lhe custar a carreira, não declarou voto em Haddad desde que voltou de sua temporada flanando em Paris na noite de sexta, dia 26.

A crítica à extrema direita é a essência do show de Roger.

Seus shows encontraram no país a concretização do que ele canta.

Não é que Roger faça protestos extemporâneos. O espetáculo é montado em cima desse tema.

Chegamos a um ponto em que um artista é “aconselhado” a mutilar sua arte em nome do medo.

Isso é censura.

E você imaginou que a psicose tivesse atingido o grau máximo quando a campanha de Bolsonaro pediu ao TSE a cassação de registro de Haddad por causa da turnê do britânico.

Roger Waters é corajoso, coerente, rico e tem bons advogados.

Vai ceder e oferecer à plateia curitibana uma versão fake de si mesmo para o gostinho dos fãs de Sergio Moro?

Particularmente, eu duvido que o faça.

Se for em cana, é nossa consagração mundial como piada suja e o trailer do que seremos sob a tirania vagabunda de Jair Bolsonaro e os seus.

 

 

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