O teatro de Mbappé prova que simular faltas não é invenção de Neymar. Por Davi Nogueira

Na vitória da França sobre o Uruguai pela Copa o atacante Mbappé, de 19 anos, protagonizou uma cena deplorável, ao fingir que levou um soco na cara.

A reação do francês foi aquela com a qual já estamos acostumados: depois de tomar um encostão na barriga, levou a mão ao rosto e desmoronou no chão, aos berros.

Simular faltas se tornou algo tão normal no futebol que, agora, ser honesto é exceção.

É visto até como uma atitude inteligente, para valorizar o jogo quando a equipe está vencendo e ganhar tempo.

Quando o assunto é simulação, só se fala em Neymar, mas as pessoas se esquecem que este método é praticado há anos. Afinal, quem não se lembra do “teatro” de Rivaldo na Copa de 2002 ao fingir ter levado uma bolada na cara, provocando a expulsão do jogador adversário?

O próprio Rivaldo incentivou Neymar a seguir simulando faltas. “Se tiver que cair com as faltas, caia, e se tiver que ganhar tempo no chão, ganhe”, disse o ex-jogador.

O futebol precisa de mais condutas como a de Aaron Hunt, em 2014. Ao fingir uma queda dentro da área, o juiz marcou pênalti a favor de seu time.

Mas Hunt foi até o árbitro e, num exemplo de honestidade, admitiu que simulou, ocasionando na anulação da falta. “Foi puro instinto, mas foi errado. Tive que pensar sobre isso até concluir que nós não queremos vencer uma partida desse jeito”, disse ele em entrevista depois do jogo.

É raríssimo vermos um comportamento como esse hoje em dia, tanto que jogar limpo até ganhou um nome especial: “fair play“.

Se não der para jogar limpo, os futebolistas poderiam se inspirar, por exemplo, na cotovelada de Pelé num zagueiro uruguaio em 70, depois de levar um pisão.

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