O torturador Ostrovski e o passado que assusta a neta. Por Marcelo Auler

Atualizado em 28 de dezembro de 2019 às 12:31
Mzri Especito Ostrovski (Foto: Secretaria de Justiça, Trabalho e Direitos Humanos/PR)

Publicado originalmente no blog do autor

Com 34 anos de atraso, o torturador Mario Espedito Ostrovski, que hoje se intitula um advogado de vida ilibada, decidiu defender sua honra. Resolveu processar o jornalista e historiador Aluízio Palmar, de 76 anos, uma de suas vítimas nas torturas que praticou, em 1970, no 1º Batalhão de Fronteiras, em Foz do Iguaçu (PR).

A ação de indenização por danos morais segundo Ostrovski e seu advogado, Ary de Souza Oliveira Jr., foi motivada por uma postagem do Centro de Direitos Humanos e Memória Popular de Foz do Iguaçu, que Palmar coordena, no Facebook, em junho passado relembrando um “escracho” feito na porta do escritório do torturador no passado e “advogado ilibado” hoje, naquela cidade fronteiriça.

A postagem, como alegam, horrorizou a neta do ex-militar, de 15 anos. Muito provavelmente a moça, que na época do escracho (2013) tinha apenas 9 anos, deve ter descoberto o passado nada ilibado do avô, acusado em depoimentos oficiais nas Auditorias Militares de torturas que provocaram, inclusive, o aborto da jovem Izabel Fávero, de 21 anos.

O nome de Ostrovski está relacionado às torturas cometidas na ditadura desde 1985, quando veio a público o Livro Tortura Nunca Mais. Ele jamais se preocupou em defender sua honra antes. Inclusive saiu de Foz de Iguaçu quando convocado a prestar esclarecimento às Comissões Nacional e Estadual da Verdade, em abril de 2013.

Perdeu a oportunidade de se defender e contestar, do jeito que fosse capaz, as acusações que pesam contra seu passado. Agora, certamente, precisará se justificar à neta.

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