O último grande craque brasileiro: a seleção deveria ser Ronaldinho mais dez

Ronaldinho Gaúcho

Ladies & Gentlemen

Minha função no Diário me obrigou a acompanhar de perto, ainda que a 10 000 km de distância, o futebol brasileiro. Comprei a Premier League de vocês, o Brasileirão.

O primeiro jogo que vi foi Corinthians versus Atlético Mineiro.

Um jogador me impressionou por vários motivos. Pela familiaridade com a bola, pela facilidade em colocar seus companheiros em situações de gol – pelo talento excepcional, enfim.

Sim: Ronaldinho Gaúcho.

Não consigo entender como ele não está na seleção brasileira. Pude perceber, nas Olimpíadas, que vocês não têm tantos craques assim para poder desperdiçar alguém como Ronaldinho Gaúcho. Até minha mulher Chrissie, que discorda de mim em tudo, concorda nisso.

Vocês parecem extremamente tolerantes com alguns jogadores. Neymar, por exemplo. Por mais que ele suma nas partidas em que deveria aparecer, é um semideus. E implicam absurdamente com outros, como Ronaldinho Gaúcho.

Se alguém que não conhecesse um único jogador brasileiro visse a partida de domingo, diria: o Brasil tem um grande craque, um artista que faz malabarismo e ao mesmo tempo é eficiente. Aquele rapaz do meio de campo do Atlético Mineiro.

Caso estivéssemos em 1970, admitiria a hipótese de um jogador daquele porte técnico ficar de fora. Mas estamos em 2012. Os meiocampistas brasileiros que vi nas Olimpíadas não dão, somados, um Ronaldinho Gaúcho.

O técnico não vê isso? Os comentaristas não vêem isso? A torcida não vê isso? Então o problema de vocês está no técnico, nos comentaristas e, lamento informar, em vocês da torcida.

Quanto a mim, vou tentar assistir ao máximo de jogos de quem me pareceu o último grande craque brasileiro.

All the best.

Tradução: Erika K. Nakamura

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