O vazamento das mensagens entre Moro e Dallagnol impulsiona a Greve Geral de amanhã. Por Donato

Povo na rua é sinal de que o Governo não está cumprindo o seu papel como se deve (Imagem: reprodução)

Isso a Globo não mostra. Bancários, metroviários, ferroviários, professores, metalúrgicos, químicos, servidores públicos e várias outras categorias irão parar as atividades nesta sexta-feira.

Convocada inicialmente contra a reforma da Previdência, a greve geral do próximo 14 de junho será um manifesto também contra os cortes na educação, na saúde e nos diretos trabalhistas.

“A greve geral impedirá a violenta destruição da Previdência que é a frágil rede de proteção social brasileira”, falou ao DCM o deputado federal Paulo Teixeira.

A pauta, contudo, ganhou vigor em consequência das reportagens do site The Intercept que tornaram públicas as trocas de mensagens pra lá de comprometedoras entre Sergio Moro e Deltan Dallagnol, traçando estratégias e contando com o apoio de Luiz Fux. Juiz, procurador e ministro do STF, respectivamente.

Líderes da esquerda acreditam que a paralisação de amanhã tem tudo para ser muito maior do que a ocorrida em abril de 2017 durante o governo Temer e igualmente contra a reforma da Previdência.

A expectativa se justifica.

Com a adesão do Sindicato dos Metroviários, Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) e de grandes centrais sindicais como CUT, Força Sindical, Nova Central, CTB, Intersindical, CSP-Conlutas, CGTB, CSB e UGT deverão parar inclusive os profissionais de limpeza urbana. Bancários foram os mais recentes na decisão, tomada em assembleia na noite de terça.

Já são 46 as entidades das mais variadas categorias que aprovaram a adesão em assembleias por todo o país.

O ator Pedro Cardoso gravou um vídeo em apoio à greve.

Sem ônibus, metrô, trens, nem bancos, não adiantará Bolsonaro “conclomar”, “canclomar”, ou algo que o valha. Trabalhadores fartos da precarização e perda de direitos e preocupados com a possibilidade de nunca mais conseguirem se aposentar irão cruzar os braços.

Em suma, uma população extremamente insatisfeita com os 5 meses de desgoverno bolsonarista, com índices como 13,2 milhões de desempregados e 41 milhões vivendo na informalidade desamparada, frutos de uma reforma trabalhista desumana, dará um recado bem claro nas ruas (ou melhor, fora delas).

Afinal, na atual conjuntura e pelo andar da carruagem, quem irá conseguir alcançar os anos de contribuição que a PEC 6/2019 exige?

As entrevistas da ex-auditora fiscal Maria Lucia Fattorelli e do economista Onofre Portella a este DCM dão uma dimensão do grau de periculosidade que é embarcar no projeto de Paulo Guedes. A balela sobre reverter desigualdades é apenas e tão somente isso, balela.

A divulgação torna-se mais que necessária uma vez que os grandes meios de comunicação estão fazendo-se de mortos e daí, no dia da greve, farão aquelas reportagens cínicas com pessoas aguardando nos pontos de ônibus, atônitas pela desinformação.

A Globo obviamente não quer dar nem um pio sobre o tema, afinal sexta-feira é dia de jogo da seleção brasileira masculina, seu produto premium.

Em tempo: hoje a Justiça concedeu uma liminar à Secretaria dos Transportes Metropolitanos SP para barrar a paralisação de metroviários e ferroviários. Wagner Fajardo, coordenador-geral do Sindicato dos Metroviários, afirmou que a paralisação está mantida.

“Nós decidimos fazer greve e não podemos mudar uma decisão que a categoria já tomou. Liminar sempre tem. Estamos acostumados”, disse ele.

Portanto, na próxima sexta-feira, faça como Neymar. Calce um chinelinho e fique em casa. Ou vá para rua apenas para protestar.

 

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