O Brasil não precisa de gente como Roberto Justus e o dono do Madero. Por Joaquim de Carvalho

Justus

O vídeo abaixo viralizou na internet e é o tipo de mensagem que neoliberais como o publicitário Roberto Justus e o  Junior Durski, dono do Madero, precisariam receber neste tempo de pandemia.

Mostra um entrevistador perguntando a um homem qual seria o número aceitável que pessoas que morrem por morarem na rua. O homem diz 70, e então 70 pessoas entram na cena. São todos da família dele.

É provável que alguns sejam atores, e a cena tenha sido preparada para causar impacto em pessoas insensíveis como Justus e Durski. Mas isso não tira o mérito dos que produziram o vídeo.

Vê-lo é como levar um soco no estômago.

Quando vê sua mulher e filha entre os 70 que representam os que poderiam morrer, o homem se emociona e ouve de novo a pergunta.

Qual seria o número aceitável?

E e ele diz: zero.

O vídeo termina com a mensagem: “Todo mundo faz falta a alguém”.

Seria interessante que Durski e Justus vissem o vídeo — se é que não viram –, mas seria inútil.

Pessoas como eles não ligam para semelhantes. Eles só pensam no dinheiro e no lucro que possibilitou a eles uma fortuna que querem aumentar incessantemente.

Seguramente, fazem parte do grupo de brasileiros que têm mais de 50 milhões de reais e que, se pagassem imposto sobre o patrimônio, o Brasil conseguiria dobrar o orçamento destinado à saúde.

Mas no Brasil lucros e dividendos não são tributados, e a alíquota de imposto de renda sobre salário de quem ganha acima de 100 mil reais é o mesmo de quem recebe 54,6 mil reais. Ou seja, 27,5%.

O Brasil é um país injusto, e gente como o publicitário e Durski não quer outro modelo. Defendem neoliberalismo na veia, ainda que essa receita represente no país o genocídio.

Eles dizem que a situação econômica vai piorar com o isolamento social necessário para enfrentar a pandemia.

Diz que pessoas perderão o emprego e a tragédia será ainda maior do que a morte de 5 ou 7 mil pessoas.

Eles não compreendem que a pandemia abre uma oportunidade para se refletir sobre um modelo econômico alternativo ao neoliberalismo, com Estado mais forte e indutor do crescimento, um Estado que proteja seus cidadãos.

Foi essa a receita que Franklin Roosevelt adotou nos Estados Unidos na década de 30, para recuperar o país depois da crise de 1929, em que pessoas também morreram, mas de desespero.

Era um mundo novo nascendo e, certamente, pessoas como Justus e o dono do Madero devem ter se oposto à implantação do programa conhecido como New Deal, que seguia as diretrizes do desenvolvimentista John Maynard Keynes.

Pessoas como Justus e o dono do Madero não morrem (no plano das ideias) e se levantaram no fim da década de 70, início da década de 80, para destruir o estado de bem estar social que havia tanto nos Estados Unidos quanto na Europa.

Estão por aí de novo, num momento em que o modelo econômico defendido por eles dá claros sinais de fracasso.

É preciso enfrentá-los, no momento em que estão representados no governo federal por Paulo Guedes.

O Brasil não precisa de gente como eles.

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