
O ex-presidente dos Estados Unidos Barack Obama assumiu protagonismo na reta final das eleições legislativas e percorreu Texas, Geórgia, Michigan e Ohio para apoiar candidatos democratas e atacar o governo de Donald Trump. Nos comícios, apoiadores voltaram a entoar o slogan “Sim, nós podemos”, associado à campanha que levou Obama à Presidência em 2008. Com informações de O Globo.
Aos 65 anos, Obama busca mobilizar eleitores em estados com forte presença conservadora e impulsionar uma nova geração de democratas. A eleição de meio de mandato, marcada para terça-feira, pode definir o ambiente político para a sucessão presidencial de 2028, quando Trump não poderá disputar a reeleição.
O cientista político Jonathan K. Hanson, professor emérito da Universidade de Michigan, avalia que o resultado pode acelerar a renovação do Partido Democrata. Ele cita as candidaturas de Jon Ossoff, na Geórgia, Abdul El-Sayed, no Michigan, James Talarico, no Texas, e Amy Acton, em Ohio, todos ligados ao legado político de Obama.
No Michigan, Obama participou de um ato com El-Sayed, médico sanitarista que tenta se tornar o primeiro senador árabe-americano dos Estados Unidos, e com Jocelyn Benson, secretária de Estado e candidata ao governo local. Ao criticar as reformas promovidas na Casa Branca, o ex-presidente ironizou: “Ficou parecida com uma unidade da [rede de restaurantes] Cheesecake Factory se o [ex-ditador iraquiano] Saddam Hussein tivesse aberto sua própria franquia.”

Obama reage a ataques contra candidata democrata em Ohio
Em Ohio, Obama subiu ao palanque com o senador Sherrod Brown e com Amy Acton, médica e candidata democrata ao governo estadual. Acton lidera pesquisas e ganhou projeção ao comandar a resposta local à pandemia de Covid-19.
A campanha de Acton sofreu um ataque do empresário trumpista Vivek Ramaswamy, seu adversário, que divulgou um vídeo com a mãe da candidata. As duas não se falam desde que Acton acusou o padrasto de abuso sexual e disse que a mãe o protegeu. No vídeo, a mãe chama a filha de mentirosa; políticos republicanos também criticaram a peça, enquanto Trump e o vice-presidente JD Vance a defenderam.
Obama condenou a estratégia usada contra a democrata. “Não há limite que não ultrapassem, nem nível tão baixo a que não desçam para atrair os holofotes”, disse o ex-presidente diante do público em Ohio.
Na Geórgia, Obama participou de um evento com Ossoff, que busca a reeleição ao Senado, e com a ex-prefeita de Atlanta Keisha Lance Bottoms, candidata ao governo estadual. Ele criticou a reação da Casa Branca à piada feita no Michigan e afirmou: “Eles mobilizam o governo inteiro para responder a uma piada, mas não falaram da inflação. Ignoraram a corrupção, a menção que fiz a um ditador e os preços altos, que impedem as famílias de comer fora.”
El-Sayed também virou alvo de ataques islamofóbicos durante a disputa no Michigan. Em uma propaganda, uma avó pergunta “De onde ele saiu?” e “que nome é esse?”, antes de a campanha apresentar a trajetória da família do candidato, filho de imigrantes egípcios, cujos parentes maternos vivem no estado desde o século XIX.