Obra do monotrilho de SP é concluída com 13 anos de atraso e custo maior

Atualizado em 30 de março de 2026 às 13:05
Obras na estação Washington Luís da Linha 17 (Ouro), o monotrilho prometido para a Copa. Foto: Márcia Alves/Metrô SP

A Linha 17-Ouro do Metrô de São Paulo será inaugurada nesta terça (31), com 13 anos de atraso em relação ao prazo inicial previsto para a Copa de 2014. O projeto, anunciado em 2011 pelo então governador Geraldo Alckmin, foi reduzido ao longo do tempo e será entregue com oito estações, dez a menos do que o planejado originalmente.

O trajeto terá cerca de 6,7 km e ligará o Aeroporto de Congonhas à estação Morumbi da Linha 9-Esmeralda. A previsão é de atender até 100 mil passageiros por dia, número inferior ao de outras linhas do sistema. O plano inicial previa uma extensão de 17,7 km, com ligação entre Jabaquara e o Estádio do Morumbi, incluindo conexões com as linhas 1-Azul e 4-Amarela.

O custo também aumentou ao longo dos anos. A obra, inicialmente estimada em R$ 3,1 bilhões, será entregue por cerca de R$ 5,8 bilhões. Mesmo considerando a inflação, o valor por quilômetro se aproxima ao de um metrô convencional, apesar da menor capacidade do monotrilho.

A execução do projeto foi marcada por problemas contratuais e paralisações. Empresas envolvidas na construção foram atingidas por investigações da Operação Lava-Jato, e houve falência de fornecedores. Contratos foram rescindidos em diferentes gestões, incluindo as de João Doria e Tarcísio de Freitas, exigindo novas licitações e mudanças de empresas responsáveis.

Trem da Linha 17-Ouro. Foto: Divulgação

A atual gestão busca capitalizar politicamente a entrega da obra, que será inaugurada em operação assistida, com funcionamento reduzido e sem cobrança inicial. A estratégia inclui outras entregas de infraestrutura previstas para o ano.

Especialistas apontam falhas no planejamento. O arquiteto Flaminio Fichmann afirma que havia alternativas “mais baratas, mais eficientes e com impacto ambiental muito menor”, como VLT ou BRT. Já o urbanista Marcos Isoda destaca a limitação do traçado atual e a ausência de conexão direta com áreas centrais.

O engenheiro Peter Alouche também critica a tecnologia adotada, baseada em pneus. Segundo ele, o sistema pode ser mais poluente e exigir manutenção frequente. O governo afirma que a expansão futura não está descartada e defende que a conclusão do trecho atual era necessária antes de avançar nas demais etapas.

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.