Obrigação de ser líder em audiência trava a criatividade de novelas na Globo

Globo (Foto: Divulgação)

Tony Goes do F5 informa que a Globo se vê prisioneira do próprio sucesso. A emissora não trabalha com nichos do mercado: seu público-alvo é todo mundo, de todas as idades, sexos e classes sociais. Ela se deu a missão de ser a número 1 em audiência em todos os horários. E vem cumprindo esse objetivo quase que perfeitamente, há mais de 40 anos.

Não só a Globo como toda a TV aberta se vê em uma encruzilhada: como fazer frente à ascensão do streaming? Serviços como a Netflix oferecem produtos variadíssimos, que podem ser consumidos a qualquer hora do dia. O usuário monta sua própria grade. E não há intervalos comerciais. Sim, a Netflix se preocupa com audiência (mas não divulga números). Séries que não caem no gosto popular não ganham novas temporadas. Mas nenhuma delas tem a obrigação de ser a mais vista em sua faixa horária, até porque o modelo de negócios da plataforma é outro. Isto faz com que o cardápio da Netflix seja extremamente variado. Tem terror, comédias adolescentes, dramas de época, reality shows, documentários, lutas marciais, receitas com maconha. Nenhum outro canal, aberto ou fechado, disponibiliza tamanha variedade de opções.

A Globo está correndo atrás. O investimento em sua própria plataforma, a Globoplay, já começa a ser visível, com séries exclusivas e temáticas pouco usuais. Mas, no horário nobre, o canal sofre para inovar. E acaba recorrendo aos autores veteranos e suas tramas repletas de filhos bastardos, vinganças e amores impossíveis.

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