Olavo e os labirintos dos generais de Bolsonaro. Por Moisés Mendes

Jair Bolsonaro e os militares. Foto: AFP

Publicado originalmente no perfil de Facebook do autor

POR MOISÉS MENDES

Amanhã, Olavo de Carvalho poderá insultar mais um general e não acontecerá nada. O general insultado emitirá uma nota pelo Twitter e a nota será replicada por meio mundo, até aparecer à noite no Jornal Nacional.

Se tivermos mais um general atacado, teremos então cinco deles insultados, depois do vice-presidente Hamilton Mourão, do porta–voz Otávio do Rêgo Barros, de Carlos Alberto dos Santos Cruz, ministro da Secretaria de Governo, e de Eduardo Villas Bôas, ex-comandante do Exército e hoje assessor do Gabinete de Segurança Institucional.

Bolsonaro não diz nada em defesa dos generais. Diz que lamenta, que os generais enfrentam uma guerra com Olavo, mas que militares estão preparados para isso mesmo. O tom dos comentários é quase sempre de omissão.

Mas os militares continuam largando notinhas com indignação. Vão se indignando e ficando no governo que mais desqualificou os militares em toda a História.

Bolsonaro levou os militares para o governo, é tutelado moralmente por eles e os ataca para dizer que manda. Mas Bolsonaro e os generais caíram numa armadilha por causa da dependência mútua.

Se ficarem e continuarem sob o ataque desmoralizante de Olavo de Carvalho, os generais estarão ponto em risco a própria reputação e a imagem das Forças Armadas.

Se decidirem cair fora, poderão ser acusados de um vexame. Terão sido derrotados por um astrólogo que nem no Brasil mora.

Para Bolsonaro, o dilema é semelhante. Se os generais desistirem, ele ficará dependurado nos filhos, no Sergio Moro, no Olavo, no Paulo Guedes e nas milícias. Se os generais ficarem, continuarão passando a ideia de que sem eles Bolsonaro não é nada.

Dramas políticos são propícios a apostas. Já podemos apostar no nome do primeiro general que pedirá para ir embora. São 18 generais nos primeiros escalões.

É de se perguntar também o que eles e o Exército ganham com suas participações no governo. Uma reposta óbvia se repete desde o início do governo. Ah, mas são eles que mandam. Não mandam. Tutelam, sugerem que estão por perto, mandam recados, mas mandar mesmo não mandam. Ainda não.

Quem manda é Paulo Guedes, com a ajuda de Rodrigo Maia. Nem os filhos mandam. Os filhos fazem guerrilha. Atiçam Olavo de Carvalho para que, por orientação do pai, ataquem os militares.

E Bolsonaro, como não entende nada do que acontece, preocupa-se apenas em dominar o telepronter e em não perder o poder, ou pelo menos em transmitir a ideia de que os generais não têm força para derrubá-lo.

Olavo de Carvalho atacará de novo amanhã. Poderá mirar no quinto general ou repetir os ataques contra os mesmos alvos.

Um sujeito sem escrúpulos usa uma linguagem imunda para testar a tática de guerra dos militares. A extrema direita ameaça engolir a direita com farda e tudo.

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