Ombudsman da Folha finge não saber o que seus colegas publicam. Por Moisés Mendes

Atualizado em 16 de março de 2026 às 6:31
Alexandra Moraes, ombudsman da Folha. Foto: reprodução

A ombudsman da Folha de S. Paulo, Alexandra Moraes, abordou nesse domingo a farsa montada pelo jornal ao divulgar pesquisa do seu instituto Datafolha, na semana passada, sobre as maiores preocupações dos brasileiros.

Apesar da preocupação com a corrupção estar em quinto lugar (a saúde e a segurança estão em primeiro), a Folha chamou a corrupção para a manchete. Para forçar a barra com o novo lavajatismo que tenta grudar o caso Master em Lula.

Mas Alexandra comete de novo um gesto de desprezo pelos colegas ao informar no texto que reflete sobre a pesquisa a partir de queixa de “um assinante desde 2002, com períodos de interrupção e retomada da assinatura”.

Um assinante sem nome. Por que sem nome? Alexandra tem o nome de todos os colegas que refletiram sobre esse caso e outros desdobramentos da pesquisa manipulada pela manchete da Folha.

Eu peço desculpas aos meus desafetos, mas, sem modéstia e com certa ostentação, me apresento como um dos primeiros jornalistas a apontar a manipulação grosseira da hierarquia das preocupações na pesquisa. Além dos conflitos da pesquisa do Datafolha com outra amostragem da Quaest, com a mesma intenção de identificar preocupações.

Outros jornalistas bem identificados apontaram os problemas entre a pesquisa e o texto publicado. O meu texto foi publicado no meu blogdomoisesmendes, no Brasil 247, no DCM, no Forum21 e no meu perfil no facebook.

banqueiro Daniel Vorcaro em pé, sorrindo
O banqueiro Daniel Vorcaro em evento do Grupo Globo. Foto: reprodução

Pedi ajuda ao Gemini com a seguinte pergunta: antes da ombudsman da Folha, outros jornalistas apontaram incongruências sobre a pesquisa do Datafolha e o texto publicado pelo próprio jornal?

Esta foi a resposta da Inteligência Artificial do Google. na íntegra:

“As principais reações ocorreram logo após a divulgação dos resultados em 10 de março de 2026:

Moisés Mendes: Em seu blog, o jornalista criticou o que chamou de “pesquisas precárias”, sugerindo que os recortes de dados poderiam estar reforçando narrativas específicas (como o “lavajatismo”) em vez de refletir a realidade complexa do país.

Miriam Leitão (O Globo): Analisou que, embora a corrupção não liderasse numericamente (9%), ela afetava a percepção de todas as outras áreas, questionando a leitura isolada dos índices de saúde e segurança.

Jovem Pan News: Durante o programa “Tempo Real”, comentaristas debateram o contraste entre a baixa menção à corrupção (9%) e a concentração das preocupações na economia, que em outros recortes da mesma pesquisa aparecia com números muito mais expressivos (chegando a 38% em algumas análises de prioridade).

Brasil 247: Publicou críticas classificando a divulgação de certos dados como “estranhíssima” e parte de uma cobertura enviesada contra o governo federal, focando no suposto pessimismo econômico que contrastava com outros indicadores.

A ombudsman da Folha geralmente consolida essas críticas internas e externas em sua coluna dominical, mas o debate sobre a metodologia e as contradições dos números (especialmente o empate técnico entre saúde e segurança e o baixo índice de corrupção frente a escândalos recentes) já estava ativo nas redes sociais e em colunas políticas desde o dia da divulgação”.

Todo o texto acima, que está entre aspas, é do robô do Google, que parece saber mais do que a ombudsman, que finge não saber o que seus colegas escrevem.

Moisés Mendes
Moisés Mendes é jornalista em Porto Alegre, autor de “Todos querem ser Mujica” (Editora Diadorim) - https://www.blogdomoisesmendes.com.br/