Onde estão os militares? A farda justa de Azevedo. Por Helena Chagas

Publicado originalmente no site Os Divergentes

POR HELENA CHAGAS

O ministro da Defesa, Fernando Azevedo, estava, de novo, ao lado de Jair Bolsonaro no passeio dominical, desta vez dentro do helicóptero que o levou a mais uma manifestação antidemocrática na Praça dos Três Poderes. Parece que o presidente da República tem feito questão de levar o general nessas incursões, talvez na tentativa de mostrar ao país que tem o apoio das Forças Armadas para o que der e vier. Não se sabe o que Azevedo – que foi assessor de Dias Toffoli e tem ótimas relações com o STF – pensa desses passeios de domingo para malhar a Corte. Aparentemente, está numa saia-justa — ou farda justa.

Ao mesmo tempo em que se noticia que os militares do governo acham que o Supremo está extrapolando em suas decisões, o ministro da Defesa faz companhia a Bolsonaro nos fins de semana e o general Augusto Heleno faz notas ameaçando com riscos à estabilidade caso o STF resolva periciar o celular presidencial, interlocutores das casernas garantem que não, não há  a menor possibilidade de as Forças Armadas apoiarem um golpe contra as instituições da democracia. Do próprio Heleno ao vice Hamilton Mourão, há sonoras negativas.

O distinto público anda confuso, sem saber em que acreditar. Se os militares não vão apoiar a “ruptura” pregada pelos bolsonaristas, por que então avalizam uma nota falando de riscos à estabilidade?  Será que apoiam mesmo? Nos bastidores, noticia-se também que o próprio ministro da Defesa é alvo de insatisfações entre comandantes das três Forças que pregam um maior distanciamento entre militares e governo. Mas alguns deles acham que o Supremo está pegando pesado demais…

Na verdade, os militares estão no governo inteiro, e agora até na cadeira elétrica de ministro da Saúde. Mas isso os fará apoiar soluções golpistas, do alto dos seus DAS?

São as perguntas que não querem calar nesses tempos sombrios, e ninguém tem a resposta cabal e incontestável. Mas o simples fato de estarmos aqui, trinta e cinco anos depois, preocupados com o que as Forças Armadas vão fazer é um tremendo e triste retrocesso…

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