Ontem éramos comparados à China e à Rússia, hoje a Honduras e ao Paraguai. Por Roberta Limongi

No final da primeira década do século 21, durante os governos progressistas, o Brasil chegou foi comparado a países como China, Rússia, Índia e África do Sul. 

Naqueles anos, algumas características em comum chamaram a atenção de especialistas que visualizaram ali uma alternativa ao projeto neoliberal, capitaneado pelos Estados Unidos. 

Um grande mercado consumidor interno e uma pauta desenvolvimentista em que o investimento era organizado e dirigido a partir do estado. 

No Brasil da atualidade, após o golpe jurídico-parlamentar de 2016, que culminou em dois anos de desgoverno de Temer, voltamos à dura realidade. Estamos mais próximos de países como Honduras, Paraguai, Egito.   

O hondurenho Manuel Zelaya, deposto em 2009, foi acusado de tentar dar um golpe plebiscitário, seja lá o que for isso.

O paraguaio Fernando Lugo, por sua vez, foi deposto em 2012 após um julgamento que durou poucas horas, não dando chance ao contraditório.

Lugo foi acusado de desgoverno, e responsabilizado por uma série de confusões no campo, que envolveram brasiguaios e sem terra locais, que terminaram, infelizmente, em mortes. 

No Egito, em 2013, a situação foi ainda mais retrógada. O presidente Mohamed Morsi, o primeiro representante civil e ativista islâmico eleito democraticamente, foi deposto e preso por uma junta militar, que desde então governa aquele país.

O presidente egípcio, resumidamente, foi acusado de manter diálogo com grupos islâmicos que não são bem vistos pelas potências ocidentais como, por exemplo, o Hamas e o Hezbollah.

Aliás, Morsi tinha sido eleito para comandar os egípcios após a queda do ditador militar Hosni Mubarak, que ficou 30 anos no poder. Ou seja, os egípcios viveram sob um regime democrático por tempo inferior a um ano. 

Outra semelhança entre Honduras, Paraguai e Brasil, que vale a pena citar, foi a presença da embaixadora americana Liliana Ayalde.

Ayalde pode ter revelado os métodos modernos de intervenção utilizados pelos Estados Unidos. 

Esses métodos visavam o financiamento de supostas ONGs ou/e movimentos sociais, que atuam como agentes desestabilizadores ou criadores de lideranças pró mercado.

O método busca também encontrar lacunas constitucionais que possibilitem dar, a tais processos como o de impeachment, um ar de legitimidade.   

As situações citadas acima representam a era Obama. De acordo com essa visão, no âmbito do neoliberalismo a guerra é encarada como um problema, pois restringe o comércio, onde tem destaque a comercialização de materiais bélicos.  

Assim sendo, a principal arma dos neoliberais, portanto, são as sanções econômicas. Em outras palavras, para o soft power, ou o país faz o que nós queremos, ou os sufocamos economicamente.  

Sob Donald Trump, a orientação para as relações internacionais não é mais predominantemente o emprego do soft power. Agora o que impera é o hard power

De maneira geral, por essa perspectiva a guerra não é um problema, ela é apenas uma extensão das negociações.

Isso significa que, ou os países seguem as orientações dos EUA e fazem o que eles querem, ou serão “curvados” fisicamente. Nesse ponto reside o perigo real de voltarmos a viver um regime de exceção nos moldes do egípcio.  

As pressões internas foram propiciadas por uma classe dominante medíocre e egoísta que aceita ser apenas representante do capital multinacional em terras brasileiras, sonhando em ganhar o máximo de capital aqui para poder gastar e Miami, Londres e Paris. 

As pressões externas, por sua vez, vieram principalmente do bloco neoliberal, capitaneados pelos Estados Unidos.

Esse bloco enxerga no BRICS uma séria ameaça ao poderio americano e à sua área de influência exclusiva e permanente – a América Latina. 

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