
Um ataque aéreo de Israel contra a prisão de Evin, em Teerã, foi classificado como crime de guerra por uma investigação da ONU, segundo relatório apresentado nesta segunda-feira (16) ao Conselho de Direitos Humanos. O episódio ocorreu em junho de 2025, durante a escalada militar entre Israel e Irã, e voltou ao centro do debate diante da nova onda de bombardeios envolvendo forças israelenses e estadunidenses.
De acordo com autoridades iranianas, mais de 70 pessoas morreram na ofensiva contra a prisão, conhecida por abrigar presos supostamente políticos.
A presidente da Missão Internacional Independente de Apuração de Fatos sobre o Irã, Sara Hossain, afirmou que há evidências suficientes para enquadrar o ataque como violação do direito internacional. “Encontramos motivos razoáveis para acreditar que, ao realizar os ataques aéreos à prisão de Evin, Israel cometeu o crime de guerra de dirigir intencionalmente ataques contra um objeto civil”, disse.
Segundo o relatório, ao menos 80 pessoas morreram, incluindo uma criança e oito mulheres. A apuração foi baseada em entrevistas com vítimas e testemunhas, além de imagens de satélite e documentos analisados pela equipe da ONU. A prisão também teria sido atingida novamente nos ataques mais recentes, elevando a preocupação com a segurança dos detentos.
Israel não respondeu aos questionamentos sobre o caso. O país deixou seu assento no Conselho de Direitos Humanos da ONU, órgão responsável por documentar abusos e conduzir investigações, e não houve manifestação oficial do governo ou das Forças Armadas.

Durante a apresentação, Hossain alertou para o impacto das ações militares na situação interna do Irã. “A principal lição extraída de nossas investigações nesse contexto é clara: a ação militar externa não proporciona responsabilidade nem traz mudanças significativas. Em vez disso, ela corre o risco de intensificar a repressão interna”, afirmou.
A especialista em direitos humanos Mai Sato também destacou a situação dos presos, incluindo detidos durante protestos recentes. Segundo ela, famílias não conseguem contato com parentes, enquanto alimentos e medicamentos se tornam escassos nas unidades prisionais.
O embaixador iraniano na ONU, Ali Bahreini, pediu a condenação internacional dos ataques israelenses e estadunidenses, que, segundo ele, já deixaram mais de 1.300 mortos no país.
O bombardeio à prisão de Evin ocorreu após Israel anunciar uma ofensiva de “força sem precedentes”, que também atingiu instalações nucleares e bases militares ligadas ao regime do aiatolá Ali Khamenei.