ONU adia decisão sobre navegação no Ormuz após divergências entre países

Atualizado em 3 de abril de 2026 às 22:49
Estreito de Ormuz. Foto: Reprodução/ Google Maps

Uma resolução sobre a segurança da navegação no Estreito de Ormuz deve ser analisada pelo Conselho de Segurança da ONU na próxima semana. A proposta foi apresentada pelo Bahrein, que ocupa a presidência rotativa do órgão, em meio a divergências entre os países membros.

As discussões ocorrem na sede das Nações Unidas após o adiamento de reuniões previstas para os primeiros dias de abril. A China já indicou que não apoia qualquer trecho que abra espaço para o uso da força, o que coloca em risco a aprovação do texto.

O cronograma inicial previa deliberação nesta sexta-feira (03), com possibilidade de continuidade no sábado. No entanto, o encontro foi novamente postergado, e até agora não há confirmação de uma nova data para a votação.

A proposta sofreu mudanças ao longo das negociações. Trechos considerados mais rígidos foram retirados na tentativa de reduzir a resistência de países como Rússia e China, que vinham se posicionando contra a redação original.

Delegados reunidos em sessão do Conselho de Segurança da ONU. Foto: Stan Honda/ AFP

Ainda assim, o processo enfrentou entraves formais. O mecanismo de aprovação por consenso, conhecido como procedimento de silêncio, foi interrompido por três membros: China, França e Rússia. Apesar disso, o texto avançou e foi oficialmente preparado para votação.

Na versão final, o documento prevê a adoção de medidas defensivas para garantir a segurança da navegação comercial por pelo menos seis meses. O prazo pode ser estendido ou revisto conforme decisão futura do próprio Conselho.

A movimentação diplomática ocorre em meio à escalada de tensão no Oriente Médio. O cenário se agravou após ataques conduzidos por Estados Unidos e Israel contra o Irã no fim de fevereiro.

Desde então, o Estreito de Ormuz tem sido afetado, com impacto direto na circulação de navios e no mercado internacional de energia. A instabilidade contribuiu para a elevação dos preços do petróleo e aumentou a pressão por uma resposta internacional coordenada.

Lindiane Seno
Lindiane é advogada, redatora e produtora de lives no DCM TV.