
Nove especialistas independentes ligados ao Conselho de Direitos Humanos da ONU (Organização das Nações Unidas) cobraram que a Meta investigue se seus sistemas de moderação, recomendação e inteligência artificial (IA) restringiram de forma desproporcional conteúdos de um dos lados da disputa eleitoral brasileira. A cobrança envolve Facebook, Instagram e WhatsApp, controlados pela empresa.
O questionamento surgiu após usuários relatarem que a inteligência artificial do WhatsApp recusava pedidos para criar imagens da campanha de Lula (PT), mas aceitava solicitações semelhantes relacionadas a Flávio Bolsonaro (PL). O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pediu explicações à Meta, que afirmou na terça (20) ter cumprido as determinações da corte para assegurar tratamento isonômico no segundo turno.
Os especialistas apontaram episódios como interrupções temporárias da conta de campanha de um dos candidatos, limitações a publicações no Instagram e diferenças de alcance, visualizações e engajamento nos feeds. A manifestação também cita divergências na busca por canais do WhatsApp, nos Stories dos candidatos e na distribuição de conteúdo político.
Para os observadores, as plataformas digitais atuam como “atores fundamentais no debate democrático”. Eles alertaram que reduzir o alcance de contas pode afetar o acesso à informação e a liberdade de associação, com impacto direto sobre a disputa eleitoral.

Especialistas questionam algoritmos e moderação de conteúdo
O grupo defendeu que a Meta reavalie seus sistemas de moderação, recomendação e inteligência artificial para identificar se houve restrição desigual a um dos campos políticos. A análise deve verificar tanto decisões automáticas quanto medidas de controle adotadas pela empresa.
“Algoritmos, sistemas de IA e decisões de moderação de conteúdo não devem se tornar árbitros invisíveis da discussão política. Quando a expressão política parecer estar sendo restringida de maneira desproporcional, as plataformas devem explicar o motivo, corrigir impactos desiguais e garantir recursos efetivos”, afirmaram os especialistas.
A nota sustenta que diferenças no funcionamento dos recursos digitais podem prejudicar partidos e candidatos em pontos decisivos de uma campanha, como a produção de imagens, a divulgação de publicações e a localização de canais de comunicação pelos eleitores.
Os nove especialistas afirmaram que eleições livres e justas exigem plataformas independentes e consistentes, além de um ambiente plural para acesso a informações, fiscalização de candidatos, troca de opiniões e organização política sem interferências arbitrárias.