Operação anticorrupção atinge gabinete de Zelensky e vice-chefe é demitida

Atualizado em 19 de agosto de 2026 às 23:31
Iryna Musdra Zelensky
Iryna Musdra, ex-vice-chefe do Gabinete Presidencial de Zelensky. Foto: Laura Celmiņa/Ministério do Exterior da Letônia

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, demitiu nesta quarta-feira (19) Iryna Mudra, vice-chefe do Gabinete Presidencial, horas depois de agentes anticorrupção fazerem buscas em seu escritório. O decreto de exoneração não informou o motivo da decisão.

O Gabinete Nacional Anticorrupção da Ucrânia (NABU) informou que a operação mira uma organização supostamente liderada por um deputado em exercício e um ex-parlamentar, com participação atribuída a altos funcionários da Presidência. Segundo a Associated Press, o grupo teria lavado 150 milhões de grívnias, cerca de US$ 3,4 milhões, para pagar a fiança de um réu de outro grande caso de corrupção.

Ao apresentar os investigados, o NABU citou os cargos ocupados por parte deles, incluindo o de vice-chefe do Gabinete Presidencial, mas não divulgou o nome dessa pessoa. Mudra também não foi publicamente identificada pela agência como suspeita nem formalmente acusada de lavagem de dinheiro.

Isso não equivale, portanto, a dizer que todo o gabinete de Zelensky seja investigado como instituição. O que está confirmado é que a operação atribui participação a um ocupante de alto cargo da Presidência e que o escritório de Mudra foi revistado. Busca, exoneração e acusação formal são etapas diferentes.

Zelenskiy Ucrânia
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelesnkiy. Foto: Lukasz Glowala/Reuters

O dinheiro teria passado por contas de empresas de fachada ligadas ao estatal Sense Bank. O objetivo seria financiar a fiança do ex-ministro de Energia Herman Halushchenko, acusado em uma investigação anterior envolvendo o setor energético.

A apuração é relacionada ao escândalo da Energoatom, que já havia atingido o círculo de Zelensky. O chamado caso Midas apura um esquema milionário de propinas e lavagem de dinheiro na empresa estatal de energia nuclear.

Mudra negou ter cometido irregularidades e afirmou que está colaborando com os investigadores. Zelensky não foi implicado no caso. A apuração permanece em andamento e poderá esclarecer se a exoneração teve relação direta com as buscas e quem é o integrante da Presidência formalmente incluído entre os suspeitos.

Laura Jordão
Estudante de Sociologia e Política na Fundação Escola de Sociologia e Política; escrevo pelo Diário do Centro do Mundo!