Operação investiga Carrefour, Casas Bahia e Kalunga por esquema de corrupção

Atualizado em 26 de março de 2026 às 16:57
Loja do Carrefour. Foto: Divulgação

O Ministério Público de São Paulo deflagrou nova fase da ‘Operação Fisco Paralelo’ e incluiu empresas como Carrefour, Kalunga, Casas Bahia, CAOA e Center Castilho entre os alvos. A investigação apura um esquema bilionário de corrupção na liberação de créditos de ICMS dentro da Secretaria da Fazenda de São Paulo.

Segundo a promotoria, o auditor Artur Gomes da Silva Neto atuava como principal operador do esquema, usando uma empresa de fachada para movimentar mais de R$ 1 bilhão em propinas. O caso envolve suspeitas de favorecimento a grandes empresas por meio de decisões fiscais irregulares.

As apurações indicam que a executiva Luciene Petroni Castro Neves, ligada à área tributária do Carrefour, manteve contato frequente com o auditor entre 2021 e 2025. Mensagens interceptadas apontam que o servidor prestava uma “verdadeira assessoria tributária criminosa”, com orientações para agilizar processos e liberar créditos fora das regras.

De acordo com o MP-SP, o esquema incluía o uso de aplicativos criptografados para dificultar o rastreamento das negociações. As suspeitas envolvem pagamento de propinas, manipulação de procedimentos fiscais e possível lavagem de dinheiro.

Dinheiro e itens de luxo apreendidos em operação do MPSP

A operação cumpre 22 mandados de busca e apreensão em cidades como São Paulo, Campinas, Vinhedo e São José dos Campos. Os alvos incluem unidades estratégicas da Fazenda estadual, como delegacias tributárias e setores de fiscalização.

Durante as ações, foram apreendidos dinheiro em espécie, moedas estrangeiras, computadores e celulares. Só em Campinas, foram recolhidos quase R$ 22 mil, US$ 1.800 e 95 libras, além de equipamentos eletrônicos usados nas investigações.

A Secretaria da Fazenda informou que atua em conjunto com o Ministério Público e mantém 33 procedimentos administrativos abertos para apurar irregularidades envolvendo servidores. As medidas podem resultar em sanções e até demissões.

O Grupo Casas Bahia declarou que não foi notificado oficialmente e afirmou desconhecer irregularidades. Em nota, disse: “A companhia também desconhece qualquer relação entre ela e seus colaboradores, não havendo qualquer indício de irregularidades em seus procedimentos internos”. Outras empresas citadas ainda não se manifestaram.

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 28 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.