Orlando Orfei, o leão de pança cheia e o bafo das hienas do mercado. Por Moisés Mendes

Atualizado em 23 de novembro de 2023 às 7:23
Orlando Orfei. (Foto: Reprodução)

Uma história com bichos. Fiz um dia a Orlando Orfei a pergunta que muitos gostariam de fazer. Como ele conseguia entrar na jaula sozinho e colocar a cabeça dentro da boca de um leão?

Foi nos anos 70, em Livramento, na fronteira gaúcha, quando o Orfei era atração mundial. Um circo com bichos hipnotizava uma cidade.

O maior domador de feras me respondeu mais ou menos assim: só faço aquilo se o animal estiver com a pança bem cheia.

Me lembro de Orfei sem aquele aplique que ele usava, um topete que parecia natural, e vi o artista estranhamente careca, sentado numa poltrona do seu caminhão-casa, com sala, cozinha e quarto.

Me lembro que ele dizia conversar até com formigas, porque amava qualquer bicho, mas que um leão nunca seria seu amigo.

Que seria impossível conviver com um leão adulto como se fosse um gato, porque um dia poderia desejar comê-lo, mesmo que estivesse com a pança cheia. Porque um leão é um leão.

É o que o governo enfrenta com o mercado, os jornalões e a direita do centrão no Congresso. Tem que manter os leões com a pança estufada, mas isso não é garantia de nada.

A imprensa que ataca Lula ainda não se sente enfarada. É preciso dar mais verbas a Estadão, Folha e Globo. O centrão precisa de mais dinheiro de emendas.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva. (Foto: Reprodução)

O mercado não admite juros menores e exige déficit zero com cortes em investimentos. São muitos leões arrotando o que já comeram, mas pedindo mais comida.

Todos estão em volta das carniças das verbas do governo e das decisões que favoreçam os de sempre. Lula não deve nem pensar em colocar a cabeça perto das unhas deles.

Eles rosnam e espargem o bafo insuportável dos grandes predadores. O bucho deles não enche nunca. E há entre os leões, principalmente no mercado, muitas hienas.

Lula sabe que só é pior do que um leão faminto uma hiena sempre em busca de sobras, mesmo que esteja sem fome.

Publicado originalmente em Blog do Moisés Mendes

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