Os 5 partidos que negaram nota de apoio a Toffoli

Atualizado em 18 de fevereiro de 2026 às 12:07
O ministro Dias Toffoli. Foto: Andressa Anholete/STF

O presidente do Solidariedade, Paulinho da Força, tentou articular uma frente partidária em apoio ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, mas não conseguiu ampliar o número de legendas dispostas a assinar uma nota conjunta de solidariedade. Segundo relatos feitos a interlocutores, o dirigente procurou líderes de cinco partidos, sem sucesso, em meio à repercussão política do caso Banco Master.

Segundo Guilherme Amado, no Platô, Paulinho teria telefonado para Gilberto Kassab (PSD), Baleia Rossi (MDB), Edinho (PT), Aécio Neves (PSDB) e Marcos Pereira (Republicanos) para buscar adesões. A iniciativa pretendia unificar manifestações públicas de apoio ao ministro, citado em relatório da Polícia Federal que investiga supostas irregularidades envolvendo o banco.

Até agora, porém, as declarações ocorreram de forma isolada. União Brasil e Progressistas divulgaram um texto conjunto em defesa de Toffoli, assinado pelos presidentes Antônio Rueda e Ciro Nogueira, mas não houve consenso para uma nota única envolvendo todas as siglas.

O Republicanos foi convidado a integrar o movimento, mas recusou. A avaliação interna do partido foi de que a adesão poderia gerar desgaste político. Dentro do Progressistas, a própria nota favorável ao ministro provocou divergências. Senadores da legenda, como Tereza Cristina, afirmaram que o posicionamento não representava a bancada no Senado.

Paulinho da Força. Foto: Pedro Francisco

As manifestações surgiram após Toffoli deixar a relatoria do processo relacionado ao Banco Master, episódio que desencadeou reações no meio político e jurídico.

O cenário de divisão e repúdio a Toffoli também repercute entre aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A convocação de Nikolas Ferreira para um protesto para 1º de março, sob o lema “Fora, Lula, Moraes e Toffoli”, aprofundou divisões no campo bolsonarista. Parte da direita discorda da prioridade dada ao impeachment de ministros do STF e defende concentrar esforços na anistia aos manifestantes do 8 de janeiro e na situação jurídica do ex-chefe do Executivo.

De acordo com interlocutores, insistir no afastamento de ministros a menos de um ano das eleições poderia ser contraproducente e até favorecer o presidente Lula, que teria a prerrogativa de indicar substitutos. A estratégia alternativa seria mobilizar apoio para a derrubada de vetos presidenciais e fortalecer pautas consideradas prioritárias pelo grupo.

A divergência interna também reflete disputas por protagonismo político. Parlamentares como Mário Frias, Gil Diniz e Lucas Bove passaram a divulgar o ato enfatizando a anistia e a liberdade irrestrita, inclusive para Bolsonaro.

O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, foi aconselhado por aliados a evitar a pauta do impeachment neste momento, evidenciando a fragmentação estratégica dentro da oposição.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.