
O advogado-geral da União, Jorge Messias, conversou com ao menos oito ministros do Supremo Tribunal Federal após ter sua indicação rejeitada pelo Senado em 29 de abril. Segundo a coluna de Igor Gadelha no Metrópoles, os contatos ocorreram por mensagens e ligações, iniciados pelos próprios magistrados, que prestaram solidariedade ao aliado do governo.
Entre os ministros que procuraram Messias estão Gilmar Mendes, Cristiano Zanin, André Mendonça, Nunes Marques, Luiz Fux, Edson Fachin, Cármen Lúcia e Dias Toffoli. As manifestações ocorreram nos dias seguintes à derrota no Senado, que impediu a nomeação para a vaga na Corte.
O ministro Alexandre de Moraes também tentou contato por mensagem e ligação, mas não recebeu resposta. A aliados, Messias afirmou que não guarda mágoas, mas indicou que uma eventual conversa com ele deverá ocorrer de forma presencial.
O advogado-geral avalia que um encontro direto com o ministro seria necessário para tratar de questões pendentes. A intenção é realizar uma conversa reservada, sem intermediários, para alinhar posições após o episódio no Senado.

A rejeição abriu uma disputa interna no entorno do presidente Lula sobre a próxima indicação ao STF. Até o momento, não há definição sobre quem será o novo nome a ser enviado ao Senado.
Aliados do governo se dividem em diferentes estratégias: um grupo defende a escolha de uma mulher negra para a vaga, enquanto outro sugere adiar a indicação para depois das eleições presidenciais, apostando em maior força política.
Há ainda uma ala que avalia a necessidade de negociação direta com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para evitar nova rejeição. A proposta seria construir um nome com maior apoio político antes de formalizar a indicação.
Paralelamente, o governo avalia a possibilidade de nomear Messias para o Ministério da Justiça, atualmente ocupado por Wellington César Lima e Silva. A medida é vista como alternativa para manter o aliado no primeiro escalão após a derrota.